sábado, 28 de abril de 2012

História Contemporânea


A História Contemporâneaé a fase atual que estamos vivendo da história da humanidade. Sucede a História Moderna.
A historiografia tradicional divide a história da humanidade em períodos: História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea. Segundo esta concepção, a humanidade tem sua história dividida em períodos que correspondem a eventos ocorridos no continente europeu ou em decorrência das ações de seu povo. Isto denota a forma tradicional de periodizar a história como fortemente eurocêntrica. Essa forma de encarar a história da humanidade está sendo amplamente revista atualmente, pois é preciso se levar em consideração a existência de grandes civilizações com grandes culturas ao longo da história também fora do continente europeu.
A História Contemporânea, segundo os historiadores, tem seu início marcado pela Revolução Francesa 1789. De acordo com essa idéia, modificações nas estruturas sociais ocorreram para caracterizar uma nova fase. O evento ocorrido na França derrubou as marcas do Antigo Regime que dividiam a sociedade em escalas dentro de uma pirâmide, na qual o rei e a nobreza ocupavam a posição mais alta, seguidos pelo clero e depois todo o resto da sociedade, incluindo camponeses e burguesia. O fato é que a classe burguesa já representava um importante grupo na ordem social e não recebia a devida consideração em troca, o que os levou a derrubar uma organização social já arcaica.
O Iluminismo teve grande influência na confecção de um novo período da humanidade, levantando a bandeira da razão e propaganda que as ciências seriam capazes de propiciar um progresso da civilização humana. O advento da nova fase colocou o indivíduo em destaque na história, capaz de definir seu próprio futuro. Ao contrário do que existia antes, quando o indivíduo era ligado a certa condição determinada pelo seu nascimento.
A História Contemporânea concretizou a presença determinante do capitalismo no cotidiano da humanidade. Exatamente por isso, surgiram novas teorias da vida humana em realidade alheia ao capitalismo. A consolidação de várias potências capitalistas desencadeou uma forte corrida por domínio de regiões fornecedoras de matéria-prima e consumidoras dos produtos industrializados. As tensões resultantes da corrida capitalista resultaram em esmagadoras guerras no século XX, colocando em questão a evolução da civilização.
Outros eventos também caracterizam fortemente a História Contemporânea. O novo período marcou as independências das antigas colônias européias, embora o imperialismo tenha gerado um novo tipo de dependência, a econômica. No século XIX há de se destacar as unificações tardias de Itália e Alemanha, as quais desencadearam a instabilidade na Europa com a entrada de novos países na corrida imperialista.
No século XX, as Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a Crise de 1929, a Descolonização da África e a Guerra Fria deram as marcas do novo período. No século XIX, dois eventos foram importantes: o Atentado Terrorista de 11 de Setembro e a Crise Econômica de 2008-2009. Entretanto, o questionamento sobre o caráter eurocêntrico de se dividir a história e o evento terrorista de 2001 está predizendo uma nova fase da história da humanidade. Alguns historiadores já arriscam a dizer que estamos vivendo a História Pós-Contemporânea. Embora o termo não seja dos melhores, essa nova concepção se baseia no fato de que a soberania dos Estados Unidos, a grande potência mundial da era Contemporânea, tenha sido abalada com o atentado. Daí novas relações mundiais se desencadeariam.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Atividades vulcânicas no México


Vulcão Popocatépetl tem atividade intensa no México


CIDADE DO MÉXICO - O vulcão Popocatépetl arremessou nesta quinta-feira, 19,  fragmentos de uma pedra por um quilômetro no céu. Atividades vulcânicas continuam, e tremores de terra foram sentidos no Estado de Jalisco no último domingo as 13:12hs ; horário local. Oficiais mexicanos alertaram para o risco de maiores explosões.

O Popocatépetl, localizado no sudeste da Cidade do México continuou produzindo cinzas, fumaça e vapor d'água nesta quinta-feira. O chão em volta à região do vulcão sofreu tremores, de acordo com o Centro Nacional de Prevenção de Desastres.
As cinzas arenosas de erupções podem provocar danos a carros, bloquear tubulações e danificar plantações.
Nesta semana, autoridades mexicanas elevaram o alerta para o vulcão Popocatépetl devido à sua intensa atividade.
Vulcão continua ameaçando moradores e governo mexicano segue em estado de alerta - RONALDO SCHEMIDT / AFP
Vulcão continua ameaçando moradores e governo mexicano segui em estado de alerta.

Ciências Sem Fronteiras




INTERCÂMBIO 



O que é?
Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC.
O projeto prevê a utilização de até 75 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação. Além disso, busca atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com os pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no Programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.
Objetivos
·         Investir na formação de pessoal altamente qualificado nas competências e habilidades necessárias para o avanço da sociedade do conhecimento;
·         Aumentar a presença de pesquisadores e estudantes de vários níveis em instituições de excelência no exterior;
·         Promover a inserção internacional das instituições brasileiras pela abertura de oportunidades semelhantes para cientistas e estudantes estrangeiros;
·         Ampliar o conhecimento inovador de pessoal das indústrias tecnológicas;
·         Atrair jovens talentos científicos e investigadores altamente qualificados para trabalhar no Brasil.


 
·         Metas

·         De maneira resumida, as metas a serem alcançadas por modalidade até 2015 são:
Modalidade
Nº de Bolsas
Doutorado sanduíche
24.600
Doutorado pleno
9.790
Pós-doutorado
11.560
Graduação sanduíche
27.100
Treinamento de Especialista no Exterior (empresa)
700
Jovem Cientista de grande talento (no Brasil)
860
Pesquisador Visitante especial (no Brasil)
390
Total
75.000
·         Além das 75.000 bolsas oferecidas pelo Governo Federal, mais 26.000 bolsas serão concedidas com recursos da iniciativa privada. Portanto, o Programa Ciência sem Fronteiras irá oferecer 101.000 bolsas a estudantes e pesquisadores no País e no Exterior. 
Áreas prioritárias
No programa Ciência sem Fronteiras, as áreas prioritárias são:
·         Engenharias e demais áreas tecnológicas;
·         Ciências Exatas e da Terra;
·         Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde;
·         Computação e Tecnologias da Informação;
·         Tecnologia Aeroespacial;
·         Fármacos;
·         Produção Agrícola Sustentável;
·         Petróleo, Gás e Carvão Mineral;
·         Energias Renováveis;
·         Tecnologia Mineral;
·         Biotecnologia;
·         Nanotecnologia e Novos Materiais;
·         Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais;
·         Biodiversidade e Bioprospecção;
·         Ciências do Mar;
·         Indústria Criativa (voltada a produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação);
·         Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva;
·         Formação de Tecnólogos.

Instituições de destino

Os estudantes e pós-doutores do Ciência sem Fronteiras terão o seu treinamento nas melhores instituições disponíveis, prioritariamente entre as mais bem conceituadas para cada grande área do conhecimento. Essas instituições estão listadas nos principais rankings internacionais, em suas melhores posições. 
Caso a instituição de interesse do candidato não esteja presente nessas listagens, deverá ser apresentada, junto com a inscrição, uma justificativa que indique a excelência da Universidade ou Instituto de Pesquisa na área de interesse do beneficiário da bolsa no Programa Ciência sem Fronteiras.

Modalidades

Graduação;

Tecnólogo;

Treinamento no exterior;

Doutorado Sanduiche;

Doutorado Pleno;

Pós-Doutorado.


Outras informações sobre documentos necessários, por exemplo, você encontrará no site: http://www.cienciasemfronteiras.gov.br

Informações por telefone:

de atendiment
o    0800 616161 - CAPES
0800 619697 - CNPq
Você é...


Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reivindica o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
(Martha Medeiros)

Verdade ou Mentira!?


'Homem grávido' diz ter apanhado da ex-mulher nas partes íntimas, diz site


Site 'TMZ' disse ter conseguido documentos judiciais de divórcio.
Thomas Beatie diz ter apanhado mais de uma vez de ex-mulher.



Thomas mudou sexo, mas mantém os órgãos sexuais femininos. (Foto: Reprodução)

Thomas Beatie, o transsexual conhecido como 'homem grávido' por ter gerado três filhos, disse ter apanhado nas partes íntimas pela ex-mulher em discussões na frente das crianças, informou nesta quinta-feira (26) o site 'TMZ' - que afirma ter conseguido documentos do processo de separação. A separação dos dois foi anunciada na mídia americana na semana passada.
De acordo com a reportagem, Thomas diz que a ex é alcoólatra e 'violenta' e que ele foi atacado fisicamente em diversas ocasiões. Ele já teria preenchido os papeis para pedir o divórcio de Nancy Beatie, com quem esteve casado por nove anos. Segundo o 'TMZ', nancy teria negado as acusações e dito que Thomas que abusava dela física e emocionalmente.
Thomas mudou de sexo aos 24 anos e é legalmente homem. Mas mantém os órgãos sexuais femininos. Quando era mulher, se chamava Tracy Lagondino.
Sua ex-mulher Nancy fez uma histerectomia e não pode ser mãe. O primeiro filho foi concebido por inseminação artificial, com esperma de um doador. Depois, ele teve outros dois filhos, Jensen e Austin Beatie.
Em abril de 2008, em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, Thomas disse que, para ele, "a necessidade de ter um filho não é um sentimento masculino ou feminino, mas humano". "Sou uma pessoa e tenho direito de ter um filho biológico", disse ele na época.
Thomas Beatie (à direita) com a mulher Nancy e a filha Susan. (Foto: Hermann J. Knippertz/AP)
Thomas Beatie (à direita) com a mulher Nancy e a filha Susan. (Foto: Hermann J. Knippertz/AP)
Thomas Beatie, durante exames em abril de 2008. (Foto: Reprodução/The Oprah Winfrey Show)
Thomas Beatie, durante exames em abril de 2008. (Foto: Reprodução/The Oprah Winfrey Show)                                           Fonte:    http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/04/homem-gravido-diz-ter-apanhado-da-ex-mulher-nas-partes-intimas-diz-site.html  

terça-feira, 3 de abril de 2012

Big Brother Real

Escola municipal coloca câmeras em banheiros em São José dos Campos


     Uma escola municipal de São José dos Campos, no interior de São Paulo, instalou câmeras de monitoramento em várias partes da instituição, incluindo os banheiros masculino e feminino. A medida polêmica foi tomada para evitar a violência, mas está dividindo opiniões.
     No fim do ano passado, a direção da Escola Sebastiana Cobra, no Jardim das Indústrias, decidiu instalar câmeras para conter casos de violência, vandalismo, roubo e intimidação. Os pais foram convocados para uma reunião. Segundo a direção, 350 aprovaram a medida, e apenas seis foram contra.
     As câmeras foram colocadas em vários pontos do prédio, incluindo os banheiros feminino e masculino. É na sala da diretora, local de acesso restrito, que fica o monitor com as imagens. No banheiro feminino, a câmera só mostra os lavatórios.
     Mães que foram a favor do sistema de vigilância disseram que os problemas de indisciplina diminuíram e não acham que os filhos possam ficar constrangidos. "No banheiro não causa constrangimento porque ela é colocada de uma maneira que não expõe nenhum dos alunos que entram lá", disse Daniele Soares.
     Outras têm opiniões diferentes. "É um espaço onde a gente pode se sentir à vontade", reclama a estudante Amanda. A mãe dela, Katia Monteiro, fez uma reclamação. "Incomoda as crianças, a privacidade dela."
     A Secretaria de Educação disse que as câmeras não serão retiradas, porque os resultados do projeto mostram diminuição da violência na escola.
     Então pense duas vezes antes de fazer "algo" no banheiro. Dê sua opinião: o que você acha desta medida?

domingo, 11 de março de 2012

ANÁLISE CRÍTICA DO FILME: A MISSÃO


Dirigido por Roland Joffé.
Elenco: Robert De Niro, Jeremy Irons, Ray McAnally, Aidan Quinn, Cherie Lunghi, Ronald Pickup, Chuck Low, Liam Neeson, Daniel Berrigan e Monirak Sisowath.
Roteiro: Robert Bolt.
Produção: Fernando Ghia e David Puttnam.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

As belíssimas paisagens da divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai, capitaneadas por uma incrível cachoeira em meio à floresta, são o pano de fundo para a história da chegada de espanhóis e portugueses em território indígena, onde os jesuítas tocavam o projeto das missões, criando comunidades e vivendo em harmonia com os povos nativos. A forma como as decisões políticas e os interesses econômicos determinaram o fim das missões e o meio violento utilizado para este fim é o que poderemos testemunhar no bom filme dirigido por Roland Joffé. “A que preço este continente foi dominado, colonizado e encontrou o progresso?” é a reflexão que surge na mente do espectador quando o último plano do filme desaparece na tela.
“A Missão” narra à história do padre Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta de bom coração que luta para defender os interesses indígenas ao lado de Fielding (Liam Nesson), e ao mesmo tempo tenta convertê-los para o cristianismo, no final do século XVIII. Gabriel passa a enfrentar problemas com o mercenário mercador de escravos Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), mas vê a oportunidade de guiá-lo em sua redenção quando, após matar o próprio irmão Felipe (Aidan Quinn) num duelo pelo amor da jovem Carlotta (Cherie Lunghi), Rodrigo sequer consegue continuar vivendo. Decidido a se regenerar, e como forma de pagar penitencia pelo peso de seu passado, o mercenário se torna padre e parte para viver na missão jesuíta, junto aos índios que perseguia. Os problemas começam quando os interesses econômicos na região entram em conflito com a missão jesuíta.
Não é difícil imaginar a dificuldade que os primeiros europeus encontraram quando chegaram ao continente sul-americano, ao se deparar com os povos nativos da região. Imagina-se também o choque cultural provocado nestes povos, ao perceberem que não estavam sozinhos e serem invadidos por pessoas de culturas tão diferentes. Por isso, quando vemos a forte cena em que um padre, amarrado em uma cruz, desce uma cachoeira para encontrar a morte, podemos imaginar os motivos que causaram este terrível fim. Mesmo assim, os chamados jesuítas tiveram sucesso em suas missões, se estabelecendo na região e convivendo pacificamente com os povos indígenas.

Roland Joffé é preciso na criação de planos incrivelmente belos, enquadrando perfeitamente as lindas paisagens do local. Conduzindo a narrativa com segurança, o diretor consegue manter um bom ritmo, falhando apenas na confusa seqüência final, quando o combate se inicia. A sutileza do diretor é perceptível na cena em que Rodrigo mata seu irmão Felipe, onde a câmera sequer mostra o irmão morto, fixando a imagem no rosto de Rodrigo e captando o impacto daquela ação em sua mente, já que este momento mudaria sua vida para sempre. Joffé também é competente na condução de uma das mais belas cenas do filme, quando padre Gabriel toca flauta para fazer contato com os índios, mostrando o poder da musica como linguagem universal, rompendo a barreira do idioma e permitindo a comunicação entre povos distintos. Esta cena, aliás, é marcada pela linda música tema composta por Ennio Morricone, que é o destaque da bela trilha sonora do filme.

O roteiro de Robert Bolt pode parecer bastante maniqueísta, ao retratar praticamente todos os europeus como vilões sem coração e todos os índios e jesuítas como pessoas boas. Porém, o filme escapa do maniqueísmo ao utilizar um inteligente artifício narrativo. Toda a história é contada sob o ponto de vista de Altamirano (Ray McAnally), que amargurado, generaliza em seu relato, transformando todos os europeus em pessoas más e todos os índios em pessoas boas. Além disso, o próprio arrependimento do narrador e a mudança de Rodrigo ao longo da narrativa reforçam este argumento. O roteiro também aborda de forma convincente como o jogo de interesses políticos determinou as ações tomadas na região, sem eximir de culpa o governo espanhol, português e a igreja. Fica claro para o espectador que a igreja trabalhou muito mais para fins políticos do que para defender a mensagem divina de amor e paz. Finalmente, Bolt teve o cuidado de desenvolver muito bem dois personagens antagônicos, que caminham juntos durante certo momento da narrativa, somente para tomar caminhos distintos em defesa da mesma causa no final. Obviamente, estamos falando de Rodrigo Mendoza e padre Gabriel. Por outro lado, ao não conseguir criar empatia com nenhum dos índios, o roteiro parece diminuir o impacto da terrível seqüência final, mas de certa forma, ajuda a entender o problema como algo generalizado, e não concentrado em um único personagem. Assim, o espectador sofre, mas não por um único índio por quem tenha criado empatia, e sim por todos eles, o que é mais tocante.
A citada cena em que Gabriel faz contato com os índios através da música serve também para iniciar a ligação do espectador com o bom padre, que será importante durante toda a narrativa. Irons está muito bem nesta cena, demonstrando a tensão misturada com coragem que sentia no momento, com o olhar atento para todos os lados e os gestos minimamente calculados. A grande atuação de Jeremy Irons cresce ainda mais no terceiro ato, quando Gabriel sofre o dilema entre defender os nativos utilizando a força e respeitar os ensinamentos cristãos de paz e amor. Mesmo sofrendo (e o ator é competente na transmissão deste sentimento), se mantém firme em sua fé, como podemos notar em sua importante conversa com Rodrigo, quando este pede para ser abençoado. Irons demonstra bem a insegurança de Gabriel, afinal de contas, o padre também é um ser humano. Mesmo assim, decide seguir pelo caminho do amor, nem que pague com a vida por isso.
Quem também decide pagar com a vida para defender os índios, só que de uma forma diferente e mais violenta, é Rodrigo Mendoza. Inicialmente apresentado como um homem cruel, capturando índios e negociando-os, ele se transforma completamente após a tragédia que destrói sua vida.  Após matar seu irmão, que havia se interessado por Carlotta (a mulher com quem Mendoza se relacionava), desiste de viver, sendo convencido por Gabriel a seguir com os Jesuítas para a missão, aceitando apenas como forma de penitência. Porém, sua transformação ao longo da trama é notável, graças ao bom desempenho do sempre competente Robert De Niro. A cena em que ele desaba num choro sentido diante dos índios é extremamente comovente e exemplifica muito bem o bom trabalho do ator. Rodrigo é um personagem muito importante na trama, e a câmera de Joffé traduz isso algumas vezes. Observe, por exemplo, como em dois momentos distintos, ao ouvir palavras mentirosas ou agressivas dos europeus, a câmera se aproxima dele (primeiro através de um close, depois através de um travelling para a esquerda), realçando seu incomodo com o que ouvia. Repare também o simbolismo óbvio na cena em que um pequeno índio encontra e entrega para Rodrigo sua espada perdida. O menino sabia que no íntimo Rodrigo queria lutar. As palavras não precisam ser ditas, o gesto resume tudo. Observe também como através da expressão facial e do olhar, De Niro transmite todo o sentimento do personagem na cena. Completando os destaques no elenco, Aidan Quinn tem uma participação discreta e pequena como Felipe Mendoza, enquanto Liam Nesson tem uma atuação discreta e competente na pele de Fielding, crescendo nos momentos finais, quando ajuda Rodrigo a liderar os índios contra a invasão européia.

O bom trabalho de direção de fotografia de Chris Menges é o destaque na parte técnica, explorando com competência a absurda beleza das cachoeiras, dos rios e da floresta local. Repare como a fotografia é dessaturada quando a ação se passa nas vilas e cidades, mudando para uma imagem muito mais viva na floresta e na comunidade dos índios e jesuítas, refletindo o estado de paz e pureza do local, em oposição à sujeira e aridez da vida na cidade. Também tem função narrativa quando o exército europeu chega ao local retirando mulheres e crianças, utilizando uma paleta escura e até mesmo a chuva para refletir a tristeza que os nativos sentiam. Os figurinos de Enrico Sabbatini e a direção de arte de John King e George Richardson são responsáveis pela competente ambientação à época, enquanto a montagem de Jim Clark é responsável pelos belos clipes que embalam a adaptação de Rodrigo ao meio indígena. Clark também cria boas elipses, como quando escutamos alguém comentar com Gabriel que Rodrigo havia assassinado o irmão há seis meses, logo depois da cena do duelo.

Mostrando claramente os interesses políticos de Espanha, Portugal e da igreja católica na região sul-americana, e como este interesse foi determinante para que os nativos fossem dizimados, abrindo espaço para a chegada destas nações e a construção da civilização que vemos hoje em dia, “A Missão” não chega a emocionar como poderia, mas cumpre um papel histórico importante. Além disso, mostra como duas pessoas podem defender a mesma causa de formas distintas, de acordo com o que acreditam, e nos tocar da mesma forma. Respondendo à pergunta inicial deste texto, o próprio narrador Altamirano deixou sua opinião: o preço da colonização foi muito alto.