quarta-feira, 8 de abril de 2020

SISTEMA FEUDAL

Feudalismo

O Feudalismo foi o sistema socioeconômico que prevaleceu na Idade Média, mas chegou a sobreviver em algumas regiões da Europa também na Idade Moderna.

feudalismo foi um conjunto de práticas envolvendo questões de ordem econômica, social e política. Entre os séculos V e X, a Europa Ocidental sofreu uma série de transformações que possibilitou o surgimento dessas novas maneiras de se pensar, agir e relacionar. De modo geral, a configuração do mundo feudal vinculou-se a duas experiências históricas concomitantes: a crise do Império Romano e as Invasões Bárbaras.

  • Ruralização da economia
economia sofreu uma retração das atividades comerciais, as moedas perderam seu espaço de circulação e a produção agrícola ganhou caráter subsistente. Nesse período, a crise do Império Romano favoreceu um processo de ruralização das populações, que não mais podiam empreender atividades comerciais. Isso ocorreu em razão das constantes guerras promovidas pelas invasões bárbaras e a crise dos centros urbanos constituídos durante o auge da civilização clássica.
  • Novos tipos sociais: o senhor feudal e o servo
A ruralização da economia também atingiu diretamente as classes sociais instituídas no interior de Roma. A antes abrangente classe de escravos e plebeus veio a compor, com os povos germânicos, uma classe campesina consolidada como a principal força de trabalho dos feudos. Trabalhando em regime de servidão, um camponês estaria atrelado à vida rural em virtude das ameaças dos conflitos da Alta Idade Média e da relação pessoal instituída com a classe proprietária, ali representada pelo senhor feudal.
senhor feudal representava a classe nobiliárquica detentora de terras. Divididos por diferentes títulos, os nobres poderiam ser responsáveis desde a administração de um feudo até a cobrança de taxas ou a proteção militar de uma determinada propriedade. A autoridade exercida pelo senhor feudal, na prática, era superior à dos reis, que não tinham poder de interferência direta sobre as regras e imposições de um senhor feudal no interior de suas propriedades. Portanto, assinalamos o feudalismo como um modelo promotor de um poder político descentralizado.
  • O papel da Igreja
Ao mesmo tempo em que a economia e as relações sociopolíticas transformavam-se nesse período, não podemos nos esquecer da importância do papel da Igreja nesse contexto. O clero entrou em acordo com os reis e a nobreza com o intuito de expandir o ideário cristão. A conversão da classe nobiliárquica deu margens para que os clérigos interferissem nas questões políticas. Muitas vezes um rei ou um senhor feudal doava terras para a Igreja em sinal de sua devoção religiosa. Dessa forma, a Igreja também se tornou uma grande “senhora feudal”.
  • Renascimento comercial e urbano e a derrocada do feudalismo
No século X, o feudalismo atingiu o seu auge, tornando-se uma forma de organização vigente em boa parte do continente europeu. A partir do século seguinte, o aprimoramento das técnicas de produção agrícola e o crescimento populacional proporcionaram melhores condições para o reavivamento das atividades comerciais. Os centros urbanos voltaram a florescer e as populações saíram da estrutura hermética que marcou boa parte da Idade Média.

Iluminura medieval em que servos oferecem peças de um animal ao senhor feudal.
Iluminura medieval em que servos oferecem peças de um animal ao senhor feudal.


MAPA MENTAL: Feudalismo







Assistam aos documentários seguintes:
O primeiro documentário apresenta uma tapeçaria de acontecimentos políticos e sociais tecidos com muitos fios - religião, indústria, agricultura, demografia, governo, economia e arte.
Produzido por WGBH Boston. 1989. Versão brasileira: Hélicon. Televisionado pela TV Câmara, data imprecisa. Divulgação sem fins comerciais em baixa qualidade de programa tornado público via emissora de TV pública, sem detenção de qualquer direito ulterior.

Já esse segundo documentário tratará da formação do sistema feudal na Europa.



Produzido por Discovery na Escola.
Após a queda de Roma, a igreja cristã e os reis europeus encheram esse grande vazio de poder, brigaram nas cruzadas e enfrentaram a peste negra. O desenvolvimento das artes, a ciência e a filosofia na Itália deram início ao grande ressurgimento cultural em toda Europa.



Fontes: 
Livro: Boulos Júnior, Alfredo
História - Sociedade & Cidadania: 7º ano: ensino fundamental: anos finais / alfredo Boulos júnior - 4. ed. - São Paulo: FTD, 2018
Sites: brasilescola.uol.com.br/historia
          livro.pro/dzjgnj 
          livro.pro/y2txdh
          discoverynaescola.com

Adaptação: Prof. Luiz Carlos Penha

ATENÇÃO! Atividades exclusivas para o 7• ano D







sexta-feira, 3 de abril de 2020

Sistema Solar

 O Sistema Solar é composto por oito planetas, conforme se considera hoje em dia, além de planetas anões e corpos celestes, como asteroides, meteoros, cometas e satélites.
O Sistema Solar, localizado na galáxia Via Láctea, consiste no conjunto de planetas, planetas anões e diversos outros astros do Universo, como asteroides, meteoros, cometas, satélites, entre outros. O Sol é a estrela central desse sistema, exercendo intenso domínio gravitacional sobre os demais corpos celestes.

Origem

Sistema Solar formou-se há cerca de 4,7 bilhões de anos. Contudo, sua origem ainda é questionada, visto que não há uma teoria que satisfaça inteiramente todas as questões que perpassam a formação do Sol e dos planetas. Entretanto, atualmente, há uma teoria mais aceita entre a comunidade científica e astronômica: a teoria da nebulosa solar.
Essa teoria foi formulada inicialmente por René Descartes no ano de 1644, sendo reformulada por Immanuel Kant em 1775 e, depois, por Pierre-Simon de Laplace em 1796. A teoria formulada por Laplace supunha hipoteticamente que o Sol formou-se a partir da rotação de uma nuvem que ao se contrair com influência da gravidade, aumentou sua velocidade entrando, então, em colapso. Assim, o sol formou-se devido à concentração central da nebulosa e os planetas formaram-se a partir dos remanescentes da nuvem molecular em colapso.
Acredita-se que o Sistema Solar tenha surgido a partir do colapso de uma nebulosa.
Essa teoria foi aperfeiçoada, continuando baseada no fato de o Sol e os planetas terem sido formados quase simultaneamente. Para a teoria, o Sol teve sua formação no centro da nebulosa. Os planetas que se formaram nas regiões mais externas, onde a temperatura é menor e as substâncias voláteis, condensaram-se.
Já os planetas formados em regiões mais internas, onde a temperatura é maior e as substâncias mais voláteis, perderam-se. Essa circunstância explica a classificação dos planetas em gasosos e rochosos.

Quantos planetas existem no Sistema Solar?

Atualmente, o Sistema Solar é oficialmente constituído por oito planetas e cinco planetas anões.
O Sistema Solar é composto por oito planetas e cinco planetas anões.
Planetas
Planetas anões
Mercúrio
Ceres
Vênus
Plutão
Terra
Haumea
Marte
Makemake
Júpiter
Éris
Saturno

Urano

Netuno



→ Plutão, um planeta anão

Plutão era considerado um planeta do Sistema Solar. Porém, as novas descobertas astronômicas constataram a existência de corpos com características semelhantes às de Plutão. Isso gerou intensas discussões acerca da classificação desse astro. Portanto, seria necessário ou aumentar o número de planetas do Sistema Solar ou criar uma nova classificação para os corpos celestes semelhantes a Plutão.
Plutão não é mais considerado um planeta, mas um planeta anão.
Assim, em 2006, a União Astronômica Internacional (UAI), responsável pela regulamentação das nomenclaturas, definições e classificações na Astronomia, apresentou um novo conceito para a palavra planeta, “rebaixando” Plutão, então, à categoria de planeta anão.
Definição de planeta, segundo a UAI:
“é um corpo celestial que está em órbita ao redor do Sol, tem massa suficiente para que sua autogravidade relacionada com as forças de corpo rígido permitam que ele assuma uma forma em equilíbrio hidrostático (forma arredondada) e, tem limpa a sua vizinhança ao longo de sua órbita.”
Definição de planeta anão segundo a UAI:
é um corpo celestial que está em órbita ao redor do Sol, tem massa suficiente para sua autogravidade relacionada com as forças de corpo rígido de modo que ele assuma uma forma em equilíbrio hidrostático (aproximadamente arredondada.), não tem limpa a sua vizinhança ao longo de sua órbita.”“

Astros do Sistema Solar

Além dos planetas, há no Sistema Solar outros astros. Segundo a União Astronômica Internacional, com exceção dos satélites que orbitam o Sol, deverão ser designados como: pequenos corpos do Sistema Solar esses corpos que apresentam dimensões inferiores aos planetas e aos planetas anões.
São eles, segundo o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas:
  • Asteroides: corpos que apresentam movimento próprio, a maioria já catalogada apresenta órbitas elípticas e encontra-se no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. O seu tamanho pode ser calculado por meio da medida da quantidade de luz que ele reflete. Apenas 16 asteroides, dos mais de 3000 catalogados, apresentam dimensões superiores a 240 km. Seu brilho não é constante devido à reflexão solar.
  • Cometas: corpos constituídos por uma parte sólida chamada de núcleo que é formado por gelo e impurezas. Sua forma é irregular, e são bastante extensos. São compostos especialmente por água, e, conforme se aproxima do Sol, o gelo existente no núcleo sofre evaporação, ejetando grãos de poeira que acabam por refletir a luz solar, dando, então, o aspecto brilhoso ao cometa. Eles possuem caudas, que são prolongamentos da nuvem de gás e poeira.
  • Meteoros, meteoroides e meteoritos: o meteoro corresponde ao fenômeno luminoso observado durante a passagem de um meteoroide na atmosfera. Os meteoroides correspondem a restos de cometas ou fragmentos oriundos de asteroides. Os meteoritos são meteoroides que sobrevivem ao adentrarem a atmosfera e atinge o chão.

Mapa mental: Sistema solar

Planetas

Os oito planetas existentes no Sistema Solar são classificados segundo as suas posições em relação ao Sol. A ordem dos planetas é:
Sol → Mercúrio → Vênus → Terra → Marte → Júpiter → Saturno → Urano → Netuno
Eles podem ser classificados em:
→ Planetas telúricos, terrestres ou rochosos: são os quatro planetas mais próximos do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. São caracterizados por serem constituídos de rochas, ferro e metais pesados e por possuírem maior densidade, visto que os materiais densos possuem tendência a estarem mais próximos ao Sol.
 Planetas jovianos, gigantes ou gasosos: são os quatro planetas mais distantes do Sol: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. São maiores que os planetas telúricos em termos de dimensão. São caracterizados por serem formados por gases como hélio e hidrogênio. São menos densos, por isso mais afastados do Sol. Há evidências de que esses planetas possuem um núcleo rochoso, contudo, não apresentam uma superfície definida. Todos apresentam vários satélites naturais e sistemas de anéis.
As principais características de cada planeta são:

1. Mercúrio


Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol.

Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Esse planeta é capaz de refletir cerca de 12% da luz solar, sendo um dos astros mais brilhantes vistos da Terra. Encontra-se a cerca de 57.910.000 km do Sol.

Sua superfície é repleta de crateras, enquanto seu núcleo é rico em ferro, e a espécie de atmosfera existente no planeta é composta, em sua maioria, por hélio (98%) e hidrogênio (2%). A temperatura do planeta durante o dia atinge 430ºC.

2. Vênus


Vênus é conhecido como Estrela Dalva é um dos astros mais brilhantes no céu noturno.

Vênus é o segundo planeta em relação ao Sol, conhecido também como Estrela D'alva, por ser, muitas vezes, um dos astros mais brilhantes no céu no período da noite. Encontra-se a aproximadamente 108.200.000 km do Sol. Possui características semelhantes às da Terra como tamanho e massa, mas difere-se nas condições que propiciam a vida.

Possui uma atmosfera 92 vezes mais densa que a atmosfera terrestre, estando o planeta quase sempre envolto por nuvens. Essa atmosfera é composta especialmente por CO2, o que contribui para que a temperatura do planeta chegue a 460ºC.

3. Terra


A Terra é o planeta em que vivemos e, até hoje, é o único com condições de existir vida.

Terra é o planeta que mais se difere dos demais, visto suas condições e características que permitem a existência de vida. O planeta encontra-se a uma distância favorável do Sol, cerca de 149.600.000 km. Seu dinamismo proporcionado pela radiação solar, forças da maré e o calor proveniente do seu núcleo o tornam um planeta único no Sistema Solar.

Sua temperatura média é de 14ºC, e apenas 60% da energia solar é absorvida. A atmosfera terrestre é atualmente composta por gases como nitrôgenio, oxigênio, gás carbônico e vapor d'água. Sua estrutura interna é composta por núcleo, manto e crosta terrestre. Possui um satélite natural, a Lua, com rotação sincronizada à da Terra.

4. Marte


Marte é o planeta do Sistema Solar com as características mais parecidas com as da Terra.

Marte é o quarto planeta segundo à distância do Sol. Encontra-se a aproximadamente 227.940.000 km dessa estrela. Esse planeta possui o clima mais parecido com o da Terra, assim como o seu movimento de rotação.

A observação da sua superfície levou alguns cientistas a considerarem possível existência de formas de vida no planeta. Sua superfície é caracterizada pela presença de crateras e poeira que é composta por magnetite, que confere ao solo marciano uma cor avermelhada.
O solo do planeta é rico em ferro e silício. A atmosfera do planeta é menos espessa que a da Terra, sendo constituída especialmente por CO2, nitrogênio, vestígios de oxigênio, monóxido de carbono e vapor d'água. As temperaturas no planeta podem variar entre -76ºC e -10ºC.

5. Júpiter


Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e é conhecido como o gigante gasoso.

Júpiter é conhecido como o “gigante gasoso”, sendo o maior planeta do Sistema Solar, além do planeta com maior velocidade de rotação. Encontra-se a aproximadamente 778.330.000 km do Sol. Sua aparência apresenta tons de vermelho, laranja, marrom e amarelo.

Apesar de ser o planeta de maior massa, ele não é o mais denso, visto que é composto por gases, especialmente hélio e hidrogênio. Acredita-se que o planeta possua um núcleo rochoso e não se sabe ao certo se possui uma superfície definida. No ano de 1979, descobriram que Júpiter apresenta um sistema de anéis.

6. Saturno


Saturno é o planeta conhecido pelo seu conjunto de anéis.

Saturno é o segundo maior planeta do Sistema Solar, estando a aproximadamente 1.429.400.000 km do Sol. O planeta gasoso é conhecido por seus anéis e acredita-se que esses são compostos por gelo, devido ao seu intenso brilho, podendo refletir até 80% da luz solar. O planeta possui um único grande satélite conhecido como Titã.

A atmosfera do planeta é constituída, principalmente, por hidrogênio e hélio. A densidade do planeta é bastante inferior à da Terra, por causa da sua composição. Há indícios de que o planeta possua um núcleo sólido, assim como Júpiter.

7. Urano


A descoberta de Urano é uma das mais recentes, considerando os planetas do Sistema Solar.

Urano é um planeta de pouca luminosidade e encontra-se a cerca de 2.880.990.000 km do Sol. Apresenta massa menor que Júpiter, porém apresenta um núcleo mais denso, o que possibilita dizer que talvez possua um núcleo rochoso.

Urano foi descoberto em 1781. O planeta possui anéis que foram descobertos em 1977, e são bastante opacos à luz. O planeta possui cerca de 27 satélites naturais e cerca de 27 luas. Sua atmosfera é composta por hidrogênio, hélio e metano, sendo esse último o responsável pela sua cor azulada. A temperatura no planeta é de aproximadamente -218ºC.

8. Netuno


Netuno é o último planeta do Sistema Solar, além de ter sido o último a ser descoberto.

Netuno é o planeta mais recentemente descoberto. Sua presença foi notada no ano de 1845. Encontra-se a aproximadamente 4.504.300.000 km do Sol. O planeta possui características semelhantes às de Urano em termos de massa e composição atmosférica. Sua atmosfera é composta por hidrogênio, hélio e metano, e possui temperatura média de -218ºC. Acredita-se que seu interior seja semelhante também ao de Urano.

Netuno possui um sistema de anéis. Além disso, apresenta treze satélites, sendo o seu maior conhecido como Tritão.

Curiosidades

  • No máximo duas horas antes de o Sol nascer ou duas horas antes de o Sol se pôr, é possível avistar Mercúrio a olho nu.
  • Um dia em Vênus é maior que um ano na Terra.
  • Em Marte, há diversos vulcões inativos. O maior deles é conhecido como Olympus Mons.
  • Em 1971, foi colocada na órbita de Marte a sonda Mariner, que fez fotos da superfície do planeta, mostrando detalhes de até um quilômetro.
  • Júpiter possui mais de 60 satélites naturais de pequenas dimensões.
  • Saturno possui cerca de 60 luas.
  • A presença de metano na atmosfera de Netuno lhe confere a cor azulada.
  • Embora Mercúrio esteja mais perto do Sol, ele não é o mais quente. Vênus é quem ocupa esse posto, uma vez que possui uma atmosfera composta por CO2, que cria uma espécie de efeito estufa no planeta, elevando sua temperatura a mais de 460ºC.
O Sistema Solar é composto por oito planetas e localiza-se na Via Láctea.
O Sistema Solar é composto por oito planetas e localiza-se na Via Láctea.





O Sistema Solar é composto por oito planetas e localiza-se na Via Láctea.
Assista a o documentário: Viagem pelo Universo, produzido pelo NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ggWtsBEB64c

Adaptação: Prof. Luiz Carlos Penha

ATENÇÃO! Atividades exclusivas para os 8• Anos B, C e D

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
SOUSA, Rafaela. "Sistema Solar"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/sistema-solar.htm. Acesso em 03 de abril de 2020.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Espaço Geográfico

O conceito de espaço geográfico varia conforme a abordagem realizada. Mas, em geral, refere-se à materialização da relação entre o homem e o meio.

Espaço Geográfico é um importante conceito para a Geografia, haja vista que ele é o objeto principal de estudo dessa área do conhecimento. Sendo assim, entender o espaço geográfico significa também compreender o papel que essa ciência possui no sentido de investigar a realidade tanto em seu aspecto social quanto em suas premissas naturais, com ênfase nas relações entre sociedade e natureza.
Não há, no entanto, um consenso entre os geógrafos sobre o que seria, exatamente, o espaço geográfico, haja vista que muitos deles orientam-se a partir de diferentes correntes de pensamento que apresentam diferentes perspectivas. Por exemplo, para a corrente Nova Geografia, o espaço geográfico corresponde à organização da sociedade e seus elementos sobre o meio.
Há autores, como Richard Hartshorne, que defendem que o espaço geográfico é apenas uma construção intelectual, não existindo de fato na sociedade. Seria, nesse caso, uma concepção da forma como nós enxergamos a realidade no sentido de apreender como acontece a espacialização da sociedade e tudo o que por ela foi construído.
Já Milton Santos afirma que o espaço geográfico é um conjunto de sistemas de objetos e ações, isto é, os itens e elementos artificiais e as ações humanas que manejam tais instrumentos no sentido de construir e transformar o meio, seja ele natural ou social.
Para os geógrafos humanistas, porém, o conceito de espaço geográfico estaria atrelado à questão subjetiva, cultural e individual. Nesse sentido, o espaço é o local de morada dos seres humanos e, mais do que isso, é o meio de vivência onde as pessoas imprimem suas marcas cotidianamente, proporcionando novas leituras à medida que a compreensão do mundo modifica-se.

Mapa mental: Espaço geográfico

*Para baixar o mapa mental em PDF, clique aqui!

Portanto, se consideramos apenas algumas das várias definições existentes, podemos perceber que o conceito em questão possui várias visões conflitantes entre si. O que, no entanto, pode ser estabelecido como consenso é que o espaço geográfico representa a intervenção do homem sobre o meio, ou seja, um produto (que, dependendo da abordagem, pode também ser um produtor) das relações humanas e suas práticas sobre o substrato natural.



Se ao longo de um rio, por exemplo, constrói-se uma ponte, estamos provocando a alteração das paisagens locais, o que representa a expressão do espaço geográfico. Se em uma cidade adotam-se medidas de revitalização de áreas degradadas, temos aí a transformação do espaço. Portanto, tudo o que é construído pelo homem é, notadamente, geográfico: hidrelétricas, cidades, campos agrícolas, sistemas de irrigação, entre outros elementos, são as construções mais visíveis do espaço geográfico.
Hidroelétrica, um exemplo da intervenção do homem sobre o meio






O espaço geográfico envolve uma diversidade de aspectos e elementos






O espaço geográfico envolve uma diversidade de aspectos e elementos




Assista a videoaula no Instagram: @escolasantoamaronews

Por Me. Rodolfo Alves Pena
Adaptação: Prof. Luiz Carlos Penha
Atenção! Atividades exclusivas para os 9• Anos
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PENA, Rodolfo F. Alves. "Espaço Geográfico"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/espaco-geografico.htm. Acesso em 27 de março de 2020.

República Oligárquica

A República Oligárquica inaugurou um novo período político no Brasil, durante a Primeira República, no qual a oligarquia rural cafeeira paulista dominou o poder político.

Com a proclamação da República, em 1889, inaugurou-se um novo período na história política do Brasil: o poder político passou a ser controlado pelas oligarquias rurais, principalmente as oligarquias cafeeiras. Entretanto, o controle político exercido pelas oligarquias não aconteceu logo em seguida à proclamação da República – os dois primeiros governos (1889-1894) corresponderam à chamada República da Espada, ou seja, o Brasil esteve sob o comando do exército. Marechal Deodoro da Fonseca liderou o país durante o Governo Provisório (1889-1891). Após a saída de Deodoro, o Marechal Floriano Peixoto esteve à frente do governo brasileiro até 1894.
No ano de 1894, os grupos oligárquicos, principalmente a oligarquia cafeeira paulista, estavam articulando para assumir o poder e controlar a República. Os paulistas apoiaram Floriano Peixoto. Dessa aliança surgiu o candidato eleito nas eleições de março de 1894, Prudente de Morais, filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP). A partir de então, o poder político brasileiro ficou restrito às oligarquias agrárias paulista e mineira, de 1894 a 1930, período conhecido como República Oligárquica. Assim, o domínio político presidencial durante esse intervalo de tempo prevaleceu entre São Paulo e Minas Gerais, efetivando a política do café-com-leite.
Durante o governo do presidente Campo Sales (1898-1902), a República Oligárquica efetivou o que marcou fundamentalmente a Primeira República: a chamada política dos governadores, que se baseava nos acordos e alianças entre o presidente da República e os governadores de estado, que foram denominados Presidentes de estado. Estes sempre apoiariam os candidatos fiéis ao governo federal; em troca, o governo federal nunca interferiria nas eleições locais (estaduais).
Mas, afinal, como era efetivado o apoio aos candidatos à presidência da República do governo federal pelos governadores dos estados? Esse apoio ficou conhecido como coronelismo: o título de coronel surgiu no período imperial, mas com a proclamação da República os coronéis continuaram com o prestígio social, político e econômico que exerciam nas vizinhanças das localidades de suas propriedades rurais. Eles eram os chefes políticos locais e exerciam o mandonismo sobre a população.
Os coronéis sempre exerceram a política de troca de favores, mantinham sob sua proteção uma enorme quantidade de afilhados políticos, em troca de obediência rígida. Geralmente, sob a tutela dos coronéis, os afilhados eram as principais articulações políticas. Nas áreas próximas à sua propriedade rural, o coronel controlava todos os votos eleitorais a seu favor (esses locais ficaram conhecidos como “currais eleitorais”).
Nos momentos de eleições, todos os afilhados (dependentes) dos coronéis votavam no candidato que o seu padrinho (coronel) apoiava. Esse controle dos votos políticos ficou conhecido como voto de cabresto, presente durante toda a Primeira República, e foi o que manteve as oligarquias rurais no poder.
Durante a Primeira República, o mercado tinha o caráter agroexportador e o principal produto da economia brasileira era o café. No ano de 1929, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York, a economia cafeeira brasileira enfrentou uma enorme crise, pois as grandes estocagens de café fizeram com que o preço do produto sofresse uma redução acentuada, o que ocasionou a maior crise financeira brasileira durante a Primeira República.
Na Revolução de 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após um golpe político que liderou juntamente com os militares brasileiros. Os motivos do golpe foram as eleições manipuladas para presidência da República, as quais o candidato paulista Júlio Prestes havia ganhado, de forma obscura, em relação ao outro candidato, o gaúcho Getúlio Vargas, que, não aceitando a situação posta, efetivou o golpe político, acabando de vez com a República Oligárquica e com a supremacia política da oligarquia paulista e mineira.
A política dos governadores foi o principal instrumento político que manteve no poder local (estados) e central (Brasil) as oligarquias rurais
A política dos governadores foi o principal instrumento político que manteve no poder local (estados) e central (Brasil) as oligarquias rurais
MAPA MENTAL: REPÚBLICA OLIGÁRQUICA

Assista o filme: Policarpo Quaresma, herói do Brasil Adaptado do romano “O triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, conta a história do major Policarpo Quaresma (Paulo José), um visionário que ama o seu país e deseja que o tupi-guarani seja adotado como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilhada Olga (Giulia Gam) por quem nutre um afeto especial e Ricardo (Ilya São Paulo), trovador e compositor de modinhas. Policarpo consegue advogar em temas tão atuais como a reforma agrária, a moralização da política nacional, a valorização da cultura indígena, o direito de manifestação e a honestidade de princípios. Acaba se envolvendo em fatos históricos ocorridos do governo de Floriano Peixoto (Othon Bastos). Direção de Paulo Thiago. Brasil, 1988.

Atenção! Atividades exclusivas para os 9• Anos
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
CARVALHO, Leandro. "República Oligárquica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/republica-oligarquica.htm. Acesso em 27 de março de 2020.