quarta-feira, 16 de outubro de 2019

SIGNIFICADO DA GLOBALIZAÇÃO

O que é a Globalização:

Globalização é o processo de aproximação entre as diversas sociedades e nações existentes por todo o mundo, seja no âmbito econômico, social, cultural ou político. Porém, o principal destaque dado pela globalização está na integração de mercado existente entre os países.
A globalização permitiu uma maior conexão entre pontos distintos do planeta, fazendo com que compartilhassem de características em comum. Desta forma, nasce a ideia de Aldeia Global, ou seja, um mundo globalizado onde tudo está interligado.
O processo de globalização se constitui pelo modo como os mercados de diferentes países e regiões interagem entre si, aproximando mercadorias e pessoas.
Costumes, tradições, comidas e produtos típicos de determinada localidade passam a estar presentes em outros lugares totalmente diferentes. Isso acontece graças a troca e liberdade de informações que a globalização pode proporcionar.
A quebra de fronteiras gerou uma expansão capitalista onde foi possível realizar transações financeiras e expandir os negócios - até então restritos ao mercado interno - para mercados distantes e emergentes.

Tipos de Globalização

A globalização é a junção de vários aspectos que unem civilizações de diferentes cantos do globo. Os principais fatores que caracterizam a formação da globalização são: a economia, a cultura e a informação.

Globalização econômica

O surgimento dos blocos econômicos - países que se juntam para fomentar relações comerciais, como por exemplo, o Mercosul e a União Europeia - foi resultado desse processo econômico.
O impacto exercido pela globalização no mercado de trabalho, no comércio internacional, na liberdade de movimentação e na qualidade de vida da população varia a intensidade de acordo com o nível de desenvolvimento das nações.
O período em que a globalização econômica mais se intensificou foi em meados do século XX, com a Terceira Revolução Industrial (conhecida também como "Revolução Técnico-Científica").

Globalização cultural

A aproximação entre as diferentes nações do mundo também proporcionou a troca de costumes, culturas e tradições típicas. Estas, por sua vez, passam pelo processo de aculturação, ou seja, quando vários elementos culturais são misturados, criando uma espécie de "mutação das culturas".
Desta forma, valores e símbolos culturais que pertenciam originalmente a uma região ou nação, passam a estar presentes em todos os cantos do mundo e vice-versa. Como consequência, cresce a necessidade de haver um maior debate sobre a tolerância entre as diferenças culturais.
Saiba mais sobre a Aculturação.
As novas tecnologias de informação e a troca constante de bens de consumo entre os países (produtos, filmes, séries, músicas, etc) contribuem para a globalização cultural.
Halloween, por exemplo, uma festividade típica na América do Norte, passou a ser celebrado em outros lugares, como no Brasil, devido a absorção dos costumes desses países norte-americanos.

Globalização da informação

O desenvolvimento das tecnologias de informação, com destaque para o advento da internet, foi o principal responsável pelo surgimento do conceito deste tipo de globalização.
Com as redes sociais online (como o Twitter, por exemplo), as pessoas que têm acesso à internet podem receber e enviar informações instantaneamente para todas as partes do mundo.
Unindo a globalização cultural com a necessidade de transmitir informações que possam ser recebidas e interpretadas em todo o planeta, também surgiu a ideia de determinar um idioma globalizado. Ou seja, uma língua que possa servir como elo entre todas as outras.
Atualmente, o idioma inglês é considerado o mais adotado entre todos os países como alternativa para garantir a comunicação, principalmente através da internet.
EconomiaCulturaInformação
Blocos econômicosAculturação / Hibridismo culturalInternet
Transnacionais / Multinacionais (capitalismo)Ampliação da diversidade cultural vs. XenofobiaComunicação instantânea
Internacionalização dos fluxos de capitais."Mutação das culturas"Idioma globalizado

Efeitos da Globalização

O mundo globalizado é construído por um conjunto de "redes", seja de informações, transportes, de comércio, etc. Todos esses aspectos passam a estar interligados, gerando uma maior interação espaço-temporal entre as nações.
expansão das empresas e criação das multinacionais é outro efeito significativo para o mundo contemporâneo a partir da globalização. Desta forma, empresas presentes em determinado país passam a atuar em outras nações, gerando empregos e possibilidade de trocas comerciais entre as regiões.
No entanto, também é preciso destacar o ponto de vista negativo deste novo cenário. Em alguns casos, a presença de "empresas globais" em países subdesenvolvidos representa a exploração destes, seja da mão de obra ou de matérias-primas locais.
A globalização também provocou a criação dos blocos econômicos, grupos de países que se unem em prol do desenvolvimento e crescimento de suas respectivas economias. A União Europeia, o Mercosul e o NAFTA são alguns dos blocos econômicos mais conhecidos.

Encolhimento do mundo

Com o desenvolvimento tecnológico, as distâncias foram "encurtadas". Conforme mostra a imagem abaixo, o tempo de locomoção foi acelerado ao longo dos anos, fazendo com que seja mais fácil percorrer longas distâncias ao redor do mundo. Esta facilidade contribuiu para a consolidação do processo de globalização.
encolhimento mundo novo

Vantagens e Desvantagens da Globalização

Como muitos outros fenômenos de elevada complexidade, a globalização apresenta pontos positivos e negativos:

Pontos positivos

  • Importante no combate à inflação e ajudou a economia ao facilitar a entrada de produtos importados;
  • O consumidor teve acesso a produtos importados de melhor qualidade e mais baratos, assim como produtos nacionais mais acessíveis e de melhor qualidade;
  • Com as multinacionais, a globalização permite que investidores de outros países invistam no estrangeiro e vice-versa;
  • Promove o desenvolvimento tecnológico;
  • Potencializa as trocas comerciais internacionais (bens e serviços);
  • Abre as portas para diferentes culturas, tradições e possibilidade de conhecer costumes de outros países de modo mais acessível;
  • Melhora o relacionamento entre os países dos vários continentes.

Pontos negativos

  • Concentração da riqueza. A maior parte do dinheiro fica nos países mais desenvolvidos e apenas 25% dos investimentos internacionais vão para as nações em desenvolvimento, o que faz disparar o número de pessoas que vivem em extrema pobreza;
  • Alguns economistas afirmam que nas últimas décadas, a globalização e a revolução tecnológica e científica (que são responsáveis pela automação da produção) são as principais causas do aumento do desemprego;
  • A aculturação pode descaracterizar os costumes culturais de um determinado país;
  • Apropriação cultural indevida, causando o desvirtuamento de signos e símbolos tradicionais das nações;
  • Exploração da matéria-prima e da mão de obra barata (quando países desenvolvidos se instalam em países mais pobres);
  • Disseminação de atividades criminosas e ilegais que antes concentravam-se apenas em uma determinada região para todo o resto do mundo;
  • Uso da internet como veículo para atividades ilegais como a prostituição, a pedofilia, o tráfico de drogas, armas e animais, o aumento de organizações criminosas, a "lavagem de dinheiro" e, consequente, aumento dos "paraísos fiscais".

Características da Globalização

  • Não é estática, ou seja, está em constante evolução, desenvolvimento e transformação;
  • Aculturação (adoção, adaptação e mistura de diferentes elementos culturais);
  • Criação de blocos econômicos, cujo principal objetivo e estreitar as relações comerciais entre os membros participantes;
  • "Aldeia Global" (mundo como uma grande comunidade única, devido aos avanços tecnológicos nos sistemas de transporte e comunicação);
  • Expansão do capitalismo;
  • Fortalecer as relações comerciais;
  • Internacionalização dos fluxos de capitais;
  • Privatização de empresas estatais (Neoliberalismo);
  • "Quebra" de barreiras fronteiriças;
  • Tempo de deslocamento através do espaço reduzido;
  • Presença de multinacionais / transnacionais;
  • Avanço das tecnologias de comunicação e dos meios de transporte;
  • Surgimento das multinacionais;
  • Informações transmitidas instantaneamente (internet);
  • Aumento da concorrência e competição econômica.

Origem da Globalização

O complexo fenômeno da globalização teve início no século XV (Era das Grandes Navegações), quando as potências europeias da época começaram a explorar os oceanos, descobrindo novas terras. No entanto, apenas com a Revolução Industrial (século XVIII) é que a globalização começa a se desenvolver e a ganhar corpo.
Outro passo importante para o desenvolvimento da globalização ocorreu em meados do século XIX, com a consolidação de tecnologias que serviriam para encurtar distâncias, tornando as viagens mais rápidas, como a eletricidade e o navio a vapor.
Com os grandes avanços tecnológicos que o século XX trouxe, aliado ao sistema capitalista que se consolidou mundialmente com a queda da União Soviética, nasce uma grande necessidade de expandir o fluxo comercial entre as nações.
As inovações nas áreas das telecomunicações e da informática, especialmente com a Internet (Quarta Revolução Industrial) foram determinantes para a construção de um mundo globalizado.
Resumindo, o processo de globalização pode ser dividido em quatro principais fases:
1ª Fase: Grande Navegações e Descobertas Marítimas (século XV) - Revolução Industrial (século XVIII)
2ª Fase: Revolução Industrial - 2ª Guerra Mundial: expansão do capitalismo.
3ª Fase: 2ª Guerra Mundial - queda do Muro de Berlim, fim da União Soviética e do regime socialista (Guerra Fria - 1989).
4ª Fase: Nova Ordem Mundial: domínio total do capitalismo.
Veja também o significado da Pós-Modernidade e saiba mais sobre o muro de Berlim.

Globalização no Brasil

Assim como a maioria dos países capitalistas, o Brasil também se mantém no mercado internacional, participando na compra e venda de produtos e serviços entre as outras nações.
O país pertence a um bloco econômico (o Mercosul), garantindo a sua participação, em parceria com outras nações, na formulação de estratégias econômicas que visem o crescimento dos países-membros.
Em 1990, com a introdução do Plano Collor (Neoliberal), o Brasil passa a adotar uma série de medidas que acelera a sua consolidação no mundo globalizado.
O crescimento da indústria, a privatização de estatais (com o Neoliberalismo) e o surgimento de empresas multinacionais são alguns dos fatores importantes que ajudaram a fortalecer o país neste novo cenário.
Saiba mais sobre o significado do Neoliberalismo.

Globalização e o meio ambiente

Com a globalização, os impactos foram extremamente agressivos e negativos para o meio ambiente. Os interesses das corporativas capitalistas são baseados nas explorações de matérias-primas da natureza de maneira insustentável, poluindo e contaminando os ambientes naturais.
Um dos princípios da globalização contemporânea é o consumo. Para que sejam produzidos produtos que correspondam ao número de consumidores existentes atualmente, a quantidade de matéria-prima extraída é enorme. A maioria das empresas não faz este processo de extração com responsabilidade ambiental.
As consequências são as alterações climáticas, catástrofes ambientais e demais eventos que prejudicam a vida do ser humano e dos demais seres vivos.

Globalização segundo Milton Santos

Milton Santos, famoso geógrafo e intelectual brasileiro, abordou a globalização nos seus últimos livros. Ele mencionou seus aspectos econômicos, e analisou o papel desempenhado pelas empresas na internacionalização do capital, e também os fluxos financeiros e o impacto que estes causam na cultura local.
Milton Santos teorizou e criticou algumas destas características do mundo de hoje, e no final de sua vida, sugeriu uma globalização solidária, que fosse centrada em valores que não fossem ligados à hegemonia.

Para maiores informações a cerca deste assunto, acesse: https://prezi.com/xjgrts-h0fiz/capitalismo-e-globalizacao/ 
(Utilize as setas do teclado para visualizar o slide por completo).

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A história e o historiador


Origem e desenvolvimento da história


      A História é a disciplina que estuda a vida humana em sociedade ao longo do tempo. O objetivo do historiador é compreender ações, desejos, pensamentos, sentimentos e criações culturais em diversas sociedades e em diferentes épocas.
      A palavra “história” tem origem no termo istorie. Em um dialeto do grego antigo, chamado jônio, esse termo significava “investigação” e estava relacionado a outras duas palavras: o substantivo istor (“testemunha”) e o verbo istorein (“informar-se”). Esse foi o sentido usado pelo viajante grego Heródoto (século V a. C.), que escreveu uma história sobre as guerras dos gregos contra os persas com base em testemunhas dos acontecimentos. Para Heródoto, o objetivo da história era produzir um discurso ou relato verdadeiro dos fatos, separando-os dos mitos, das fábulas e das lendas.
    Até o advento do mundo moderno, surgiram muitas outras maneiras de entender a história. No século XVI, contudo, foram formulados métodos para orientar a análise das fontes históricas, distinguindo os documentos falsos dos verdadeiros. Por meio do contato direto com as fontes e do desenvolvimento do método crítico, os historiadores procuravam compreender toda a diversidade de instituições, criações culturais, hábitos de pensamento, usos e costumes entre os povos.

NOVOS RUMOS DA HISTÓRIA


   Mesmo depois da formulação de métodos para estuda-la, a história ainda era considerada um gênero literário, ou seja, importava mais a elegância da escrita do que a objetividade do conhecimento. Isso mudou no século XIX, quando a história passou a ser considerada uma ciência e tornou-se uma disciplina acadêmica, ensinada em escolas e universidades. Desde então, os estudiosos de história passaram a se preocupar em preservar o patrimônio documental e material sobre o passado, principalmente o das nações. Para conservar e divulgar a memória nacional foram fundadas instituições como museus, escolas, arquivos, institutos históricos e associações arqueológicas.
    No século XX, o conhecimento histórico avançou muito. Os historiadores não se restringiam mais à narração dos acontecimentos que pontuavam a memória da nação (guerras, batalhas, revoluções etc.), como faziam no século XIX. Outras áreas de pesquisa e outros métodos e abordagens foram desenvolvidos, modificando as relações entre presente, passado e futuro e transformando o modo como o conhecimento histórico era produzido. Como parte desse movimento de mudança, novos campos de estudo se desenvolveram, como, por exemplo, a história da infância, das atitudes diante da morte, da loucura, da relação entre ser humano e o clima, das mulheres, da leitura, entre muitos outros. Além disso, alguns vestígios que não eram considerados fontes históricas passaram a ser tratados como tal.

AS FONTES HISTÓRICAS


    Todos os vestígios deixados pelas gerações passadas são fontes que podem ser analisadas pelos historiadores para produzir conhecimento histórico. Esses vestígios podem ser registros escritos, monumentos, fotografias, pinturas, instrumentos de trabalho, joias e vestimentas, entre muitos outros objetos feitos pelo ser humano, que servem de base para a construção de conhecimento histórico. No século XIX, quando a história tornou-se uma disciplina acadêmica e o ofício do historiador uma profissão reconhecida, apenas os documentos escritos eram considerados fontes históricas, especialmente os registros oficiais produzidos pelos Estados, como tratados diplomáticos, narrativas de batalhas, documentos administrativos.
  No século XX, a concepção de fonte histórica se ampliou consideravelmente. Vestígios arqueológicos, músicas, mitos, lendas, objetos de cultura material, relatos orais, obras literárias, imagens, peças de teatro e filmes, entre outros, passaram a ser considerados fontes para o conhecimento do passado. Todas as produções humanas tornaram-se relevantes para a investigação histórica. Essa transformação foi um dos fatores que possibilitaram a ampliação do território do historiador e a abertura de novos campos de pesquisa.

Xipe Totec (deus da fertilidade) escultura asteca, séculos XIV-XVI. Museu das Culturas, Basileia, Suíça. Vestígios arqueológicos como esse permitem o estudo sobre os costumes, a religiosidade e o desenvolvimento técnico e artístico de uma sociedade.


Fonte de pesquisa: Editora Moderna.


terça-feira, 13 de março de 2018

O mundo Islâmico


        Islamismo ou Islã é uma religião monoteísta fundada pelo profeta Maomé no início do século VII. "Islã" é uma palavra árabe que significa "submissão" ou "rendição" e se refere àqueles que obedecem a “Alá”, o único e verdadeiro Deus, o criador, o provedor e o ceifador da vida.  Os seguidores da religião islâmica são chamados de muçulmanos (aqueles que se submetem a Deus).
         É uma religião monoteísta que prega a submissão total do homem à vontade de Alá, o Deus único.

        O islamismo teve início quando Maomé, um comerciante da cidade de Meca, na Península Arábica, se retirou para uma caverna nos arredores da cidade para meditar no ano 610. Na caverna, situada no Monte Hira, Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe mandou recitar versos que lhe teriam sido enviados por Deus e lhe comunicou que ele, Maomé, fora escolhido para ser o último profeta enviado por Deus à humanidade. Os versos foram posteriormente redigidos, formando o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Maomé começou, então, a pregar, em sua cidade, os ensinamentos que recebera na caverna. As pessoas que aceitaram esses ensinamentos passaram a ser conhecidos como "muçulmanos", ou seja, "aqueles que se submetem à vontade de Deus, aqueles que estão em paz, aqueles que são puros, aqueles que obedecem à vontade de Deus",

Vida do profeta Maomé
         Muhammad (Maomé) era da tribo de coraich e nasceu na cidade de Meca no ano de 570. Filho de uma família de comerciantes, passou parte da juventude viajando e conhecendo diferentes culturas e religiões. Aos 40 anos de idade, de acordo com a tradição, recebeu a visita do anjo Gabriel que lhe transmitiu a existência de um único Deus. A partir deste momento, começa sua fase de pregação da doutrina monoteísta, porém encontra grande resistência e oposição. As tribos árabes seguiam até então uma religião politeísta, com a existência de vários deuses tribais.
         Maomé começou a ser perseguido e teve que emigrar para a cidade de Medina no ano de 622. Este acontecimento é conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.
         Em Medina, Maomé é bem acolhido e reconhecido como líder religioso. Consegue unificar e estabelecer a paz entre as tribos árabes e implanta a religião monoteísta. Ao retornar para Meca, consegue implantar a religião muçulmana que passa a ser aceita e começa a se expandir pela península Arábica.
         Reconhecido como líder religioso e profeta, faleceu no ano de 632. Porém, a religião continuou crescendo após sua morte.
Livros Sagrados e doutrinas religiosas

         O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos (suras). Entre tantos ensinamentos contidos, destacam-se: onipotência de Deus (Alá), importância de praticar a bondade, generosidade e justiça no relacionamento social. O Alcorão também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão.
          Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos. A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé.

Preceitos religiosos

          A Sharia define as práticas de vida dos muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes e alimentação. De acordo com a Sharia, todo muçulmano deve seguir cinco princípios:


-        Aceitar Deus como único e Muhammad (Maomé) como seu profeta;
-         Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus rendimentos para os necessitados;
-        Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
-        Realização diária das orações;
-        Jejuar no mês de Ramadã com objetivo de desenvolver a paciência e a reflexão.

Locais sagrados

        Para os muçulmanos, existem três locais sagrados: A cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba. A cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos). A cidade de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso para encontrar com Moisés e Jesus.

Divisões do Islamismo

         Após a morte do profeta Maomé (ou Mohammed),  houve um processo de disputa para decidir quem deveria sucedê-lo, já que o Islã não consistia apenas em uma religião desconectada do poder político. O Islã, em si mesmo, está estruturado em uma proposta de civilização que articula princípios religiosos e políticos.
           Da disputa pelo direito de sucessão legítima do Profeta, duas correntes tornaram-se majoritárias: os xiitas e os sunitas. Tal disputa teve seu início em 632 d.C., quando os califas (sucessores de Maomé), que também eram sogros de Maomé, Abu Bakr e Omar, tentarem organizar a transmissão do poder político e da autoridade religiosa. Essa tentativa logrou êxito até o ano de 644 d.C., quando um integrante da família Omíada, também genro de Maomé, chamado Othmã, tornou-se califa e passou a ter sua autoridade contestada por árabes islamizados que viviam próximos à Medina. Othmã acabou sendo assassinado.

Também disponível em: http://atividades-mary.blogspot.com.br


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Teoria do Big Bang

Segundo a Teoria do Big Bang, o universo teria surgido de uma grande explosão cósmica, que criou o espaço e o tempo.


A busca pela compreensão sobre como foi desencadeado o processo que originou o universo atual, proporcionou – e ainda proporciona – vários debates, pesquisas e teorias que possam explicar tal fenômeno. É um tema que desperta grande curiosidade dos humanos desde os tempos mais remotos e gera grandes polêmicas, envolvendo conceitos religiosos, filosóficos e científicos.

Até o momento, a explicação mais aceita sobre a origem do universo entre a comunidade cientifica é baseada na teoria da Grande Explosão, em inglês, Big Bang. Ela apoia-se, em parte, na teoria da relatividade do físico Albert Einstein (1879-1955) e nos estudos dos astrônomos Edwin Hubble (1889-1953) e Milton Humason (1891-1972), os quais demonstraram que o universo não é estático e se encontra em constante expansão, ou seja, as galáxias estão se afastando umas das outras. Portanto, no passado elas deveriam estar mais próximas que hoje, e, até mesmo, formando um único ponto.

A teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo naturalizado estadunidense, George Gamow (1904-1968) e o padre e astrônomo belga Georges Lemaître (1894-1966). Segundo eles, o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica, entre 10 e 20 bilhões de anos atrás. O termo explosão refere-se a uma grande liberação de energia, criando o espaço-tempo.

Até então, havia uma mistura de partículas subatômicas (qharks, elétrons, neutrinos e suas partículas) que se moviam em todos os sentidos com velocidades próximas à da luz. As primeiras partículas pesadas, prótons e nêutrons, associaram-se para formarem os núcleos de átomos leves, como hidrogênio, hélio e lítio, que estão entre os principais elementos químicos do universo.

Ao expandir-se, o universo também se resfriou, passando da cor violeta à amarela, depois laranja e vermelha. Cerca de 1 milhão de anos após o instante inicial, a matéria e a radiação luminosa se separaram e o Universo tornou-se transparente: com a união dos elétrons aos núcleos atômicos, a luz pode caminhar livremente. Cerca de 1 bilhão de anos depois do Big Bang, os elementos químicos começaram a se unir dando origem às galáxias.

Essa é a explicação sistemática da origem do universo, conforme a teoria do Big Bang. Aceita pela maioria dos cientistas, entretanto, muito contestada por alguns pesquisadores. Portanto, a origem do universo é um tema que gera muitas opiniões divergentes, sendo necessária uma análise crítica de cada vertente que possa explicar esse acontecimento.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Napoleão Bonaparte



No centro desta super produção está um homem, não uma lenda, não um herói tão grandioso quanto a sua vida. É o homem Napoleão Bonaparte, um homem com necessidade e desejos, forças e fraquezas iguais a de qualquer ser humano. Um homem abençoado com incrível energia e poder que podera ostentar: "Eu posso ter perdido uma batalha, mas eu nunca perdi um minuto." Um homem que, a despeito das circunstâncias, se elevou sobre os mortais para um nível quase mítico. O filme Napoleão despe o mito e investiga por trás dos fatos para retratar toda a complexidade e contradição daquele que foi o homem mais poderoso do mundo.

https://www.youtube.com/watch?v=2i9TyAsMqYw

quarta-feira, 30 de março de 2016

RESUMO DO LIVRO DE NICOLAU MAQUIAVEL: O PRÍNCIPE



- Aos 29 anos de idade, Nicolau Maquiavel ingressou na vida política, exercendo o cargo de secretário da Segunda Chancelaria da República de Florença. Porém, com a restauração da família Médici ao poder, Maquiavel foi afastado da vida pública. Nesta época, passou a dedicar seu tempo e conhecimentos para a produção de obras de análise política e social.


- Em 1513, escreveu sua obra mais importante e famosa “O Príncipe”. Nesta obra, Maquiavel aconselha os governantes, em especial o Príncipe Lorenzo de Médici, como governar e manter o poder absoluto, mesmo que tenha que usar a força militar e fazer inimigos. Esta obra, que tentava resgatar o sentimento cívico do povo italiano, situava-se dentro do contexto do ideal de unificação italiana. 



- O livro "O Príncipe" foi escrito por Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532.


- Trata-se de um dos tratados políticos mais importantes já escritos, e que tem papel crucial na construção do conceito de Estado como modernamente conhecemos. 
- Entre outras coisas, descreve as maneiras de conduzir-se nos negócios públicos internos e externos, e fundamentalmente, como conquistar e manter um principado

- O livro “O Príncipe” é um manual prático que foi dado como presente por Maquiavel ao Príncipe Lorenzo de Médici.

Príncipe Lorenzo de Médici

- A obra envolve experiência e reflexões do autor. 

- Maquiavel analisa a sociedade de maneira fria e calculista e não mede esforços quando trata de como obter e manter o poder.

- Questão: como constituir e manter a Itália como um Estado livre, coeso e duradouro? Ou como adquirir e manter principados?

- A tirania é apresentada por Maquiavel como uma resposta prática a um problema prático 

- No livro “O Príncipe” não há considerações de direito, mas apenas de poder: são estratégias para lidar com criações de força.


- Teoria das relações públicas: cuidados com a imagem pública do governante.
- Teoria da cultura política: religião nacional, costumes e ethos social como instrumentos de fortalecimento do poder do governante.
- Teoria da administração pública: probidade administrativa, limites à tributação e respeito à propriedade privada. 
- Teoria das relações internacionais: Exércitos nacionais permanentes, em lugar de mercenários. Exercito nacionais para conquista, defesa externa e ordem interna.


- Em sua obra “O Príncipe”, Nicolau Maquiavel mostra a sua preocupação em analisar acontecimentos ocorridos ao longo da história, de modo a compará-los à atualidade de seu tempo.

- A obra é dividida em 26 capítulos, que podem ser agregados em cinco partes, a saber: 
*capítulo I a XI: análise dos diversos grupos de principados e meios de obtenção e manutenção destes;
*capítulo XII a XIV: discussão da análise militar do Estado; 
*capítulo XV a XIX: estimativas sobre a conduta de um Príncipe; 
*capítulo XX a XXIII: conselhos de especial interesse ao Príncipe; 
*capítulo XXIV a XXVI: reflexão sobre a conjuntura da Itália à sua época.

- Na primeira parte (cap.I a XI), Maquiavel mostra, através de claros exemplos, a importância do exército, a dominação completa do novo território através de sua estadia neste; 

- Mostra a necessidade da eliminação do inimigo que no país dominado encontrava-se e como lidar com as leis pré-existentes à sua chegada;

- Dava o consentimento da prática da violência e de crueldades, de modo a obter resultados satisfatórios, onde se encaixa perfeitamente o tão famoso postulado atribuído a Maquiavel de que “os fins justificam os meios” como os pontos mais importantes. 

- A guerra é a verdadeira profissão de todo governante e odiá-la só traz desvantagens.


- Já na segunda (cap.XII ao XIV), reflete sobre os perigos e dificuldades que tem o Príncipe com suas tropas, compostas de forças auxiliares, mistas e nacionais, e destaca a importância da guerra para com o desenvolvimento do espírito patriótico e nacionalista que vem a unir os cidadãos de seu Estado, de forma a torná-lo forte. 

- Do capítulo XV ao XIV, vê-se a necessidade de certa versatilidade que deve adotar o governante em relação ao seu modo de ser e de pensar a fim de que se adapte às circunstâncias momentâneas.

- ”Qualidades”, em certas ocasiões, como afirma o autor, mostram-se não tão eficazes quanto “defeitos”, que , nesse caso, tornam-se próprias virtudes; 

- O obra também fala da temeridade dele perante a população quanto ao sentimento de afeição, como medida de precaução à revolta popular, devendo o soberano apenas evitar o ódio; 

- Fala da utilização da força sobreposta à lei quanto disso dependeram condições mais favoráveis ao seu desempenho; 

- Também fala da importância da sua boa imagem em face aos cidadãos e Estados estrangeiros, de modo a evitar possíveis conspirações.

- Em seguida, constata-se um questionamento das utilidades das fortalezas e outros meios quanto a finalidade de proteção do Príncipe; 

- Depois ele disserta sobre o modo como o principe encontrará mais serventia em pessoas que originalmente lhe apresentavam suspeita em contrapartida às primeiras que nele depositavam confiança; 

- Indica como o príncipe deve agir para obter confiança e maior estima entre seus súditos; 

- Fala sobre a importância da boa escolha de seus ministros;

- O livro se apresenta como uma espécie de guia sobre o que fazer com os conselhos dados ao príncipe. Conselhos estes que são raramente úteis, quando levamos em consideração o interesse oculto de quem os dá. 

- Na última parte, que abrange os três capítulos finais, Maquiavel foge de sua análise propriamente “maquiavélica” na forma de um apelo à família real, de modo que esta adote resoluções em favor da libertação da Itália, dominada então pelos bárbaros. 

Documentário: O Príncipe (Nicolau Maquiavel)

- Terminada a breve exposição dos principais temas abordados no livro “O Príncipe” aqui sintetizado, conclui-se ser tamanha a complexidade organizacional de um Estado, que se recorre a todo e qualquer meio, justo ou injusto, da república à tirania, para ter-se como consequência não um país justo no sentido próprio da palavra (ao menos não se julga, habitualmente, haver uma possibilidade de fazer-se justiça com relação a todos os integrantes de uma sociedade ou grupo de extensão considerável, já que os interesses são os mais variados), mas estável, governável e próprio de orgulho por suas partes e, principalmente, de respeito perante aos demais países/nações, o que certamente propiciaria um meio sadio e mais tranquilo de viver-se, tanto ao Príncipe quanto aos seus seguidores.



- Em função das idéias defendidas no livro “O Príncipe”, o termo “maquiavélico” passou a ser usado para aquelas pessoas que praticam atos desleais (até mesmo violentos) para obter vantagens, manipulando as pessoas. Este termo é injustamente atribuído a Maquiavel, pois este sempre defendeu a ética na política.



"Precisando um príncipe de saber usar bem o animal, deve tomar como exemplo a raposa e o leão; pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não se sabe defender dos lobos. Deve, portanto, ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos."

Niccolo Maquiavel

A forca física do leão, e a sagacidade da raposa.

Referência:

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe: comentários de Napoleão Bonaparte. Tradução Edson Bini. 12. ed. São Paulo: Hemus, 1996.

Disponível em:
www.blogdoprofessorhenry.blogspot.com

Resenha do livro "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel

É importante ao falarmos da obra prima de Nicolau Maquiavel, “O Príncipe”, atentarmo-nos para a sua finalidade prática. Em 1512, o italiano havia sido exilado e destituído de suas funções públicas após a tomada do poder de Florença pela família Médici. Como uma forma de conquistar a graça dos novos governantes e, assim, retomar o seu antigo posto, Maquiavel escreve “O Príncipe” em dedicatória a Lourenço de Médici.
O livro, que assume a forma de um manual do bom governante, se inicia como uma classificação dos tipos de governo e da melhor maneira de conquistá-los. Aí, o autor já apresenta o seu argumento e, de forma a corroborá-lo, uma grande amostra de exemplos, citando desde romanos até os gregos e os próprios italianos. É assim que Maquiavel nos mostrará uma de suas mais singulares características: a preocupação pela história e, de certo modo, pela empiria.
A seguir, o florentino exporá uma parte importante do seu raciocínio retomada ao final do livro, que se refere a dois conceitos chaves: a virtù e a fortuna. Segundo o autor, a transformação de um homem em um príncipe se daria por duas formas – pelos seus méritos próprios ou pela sorte. Conquistar um principado por méritos próprios seria mais dificultoso, mas mais facilmente se daria a sua manutenção. O contrário aconteceria com que aqueles homens que o fizessem através da fortuna ou do mérito alheio.
Aqui é importante frisar que o conceito de virtù não se assemelha em nenhum aspecto às virtudes cristãs e tampouco temos a fortuna como sinônimo de desígnio divino. O autor, contrariando a mentalidade típica de sua época, elabora a imagem do homem que não está sob o jugo da divina providência, mas que é sujeito da história. Dessa forma, faz uma retomada aos clássicos, movimento característico do humanismo, e resgata a figura da fortuna como uma deusa aliada daqueles de virilidade suficiente para conquistá-la. Tal como uma mulher ela seria seduzida pelos jovens, aqueles mais arrebatados e de maior vir.
Outro capítulo interessante é aquele que se intitula: “daqueles que se fizeram príncipes mercê de suas atrocidades”. Afim de melhor explicar seu raciocínio, o italiano dará o exemplo de Agatócles, que, por meio de inumeráveis crueldades, se fez respeitado. Para Maquiavel, o uso da virtù não nos permite inferiorizá-lo com relação a nenhum outro capitão, e, no entanto, a sua desumanidade e a falta de características virtuosas não fazem com que possamos classificá-lo como glorioso. Ainda assim, o autor caracterizará duas formas de crueldade: as proveitosas, das quais se faz uso uma única vez por motivos de segurança, e as contraproducentes, utilizadas de forma indiscriminada e paulatinamente.
São idéias como essa que abrirão caminho mais tarde para a célebre discussão sobre a moralidade nos escritos de Maquiavel: seria o autor um amoral, uma vez que coloca ética e política em planos distintos; teria sido um moralista peculiar, tendo em vista que não abdica completamente dos valores de sua época, fazendo uso dos termos “bem” e “mal”, “lícito” e ilícito”; ou, ainda, um pensador que propunha uma moral diferente, onde predominaria a busca pela glória em detrimento das virtudes cristãs?
O próximo passo será falar da arte da guerra, tema de inúmeros outros escritos de Maquiavel. O italiano preconizaria um príncipe que tivesse como única atividade a preocupação pelos exercícios militares. Isso se deveria ao fato da inconfiabilidade dos exércitos mercenários, que seriam vis, indisciplinados e infiéis, capazes de mudar de lado caso tivessem a garantia de maiores de salários. Assim, o príncipe que dependesse desse modelo de tropa, ou, exclusivamente, da sua fortuna, estaria fadado à ruína.
A seguir, o florentino discorrerá sobre o que chamamos “a verdade efetiva das coisas”, ou seja, de que devemos tratar do mundo como ele realmente se apresenta diante de nós. Aquele que se preocupa mais com o “dever ser” do que com o “ser”, caminharia, infalivelmente, para a ruína. Esse ponto merece grande atenção, uma vez que através dele surge a figura do Maquiavel realista em oposição a muitos autores considerados utópicos, como Tomás Morus e, mais tarde, Rousseau.
A partir desse ponto é que devemos entender a defesa do italiano pela praticidade das ações do príncipe, que não deveria fiar-se em atitudes consideradas “éticas” caso essas colocassem em risco a própria segurança do Estado. Dessa forma, o soberano deveria tentar ser, ao mesmo tempo, temido e amado, devendo optar, no entanto, pela primeira característica no caso de ter de escolher.
Essa constatação é conseqüência da sua concepção de natureza humana. Sendo ela essencialmente má os homens se afastariam do príncipe em sua primeira necessidade, de forma que o soberano nunca poderia contar com a sua palavra. Tal indução no que toca à natureza humana  seria mais tarde retomada por autores como Thomas Hobbes.
Outra metáfora de que se utilizará Maquiavel e que tem origem em escritores clássicos é a da raposa e do leão. Para o autor, não bastaria que o príncipe fosse essencialmente forte, como o leão, mas que tivesse atributos da raposa, famosa pela esperteza e dissimulação. Dessa forma, o soberano, apesar de nem sempre contar com as virtudes cristãs, deveria fingir tê-las de modo a enganar seus súditos. Mais uma vez, Maquiavel rompe com a moralidade típica do medievo, propondo outro sistema de valoração.
Assim, Maquiavel entende que é importante que o príncipe seja bem-quisto não devido a uma ética transcendental, mas porque assim a manutenção do Estado se daria de forma mais fácil. Apesar de muitas vezes temido, portanto, é necessário que o soberano não fosse odiado. Tal sentimento por parte do povo poderia ser evitado caso se respeitassem, principalmente, a sua propriedade e as suas mulheres.
Por fim, Maquiavel falará sobre a unificação da Itália, motivo pelo qual a maioria dos estudiosos atribui a preocupação do italiano por instituir aí um poder forte e coeso. A Itália subdivida em muitas repúblicas e principados era o cenário de sangrentas batalhas, que poderiam ser evitadas, na visão de Maquiavel, caso se firmasse um governo soberano. Em certo sentido, portanto, é o florentino um dos precursores da idéia de Estado moderno desenvolvida posteriormente.

Disponível em: www.arcos.org.br




  

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A VIDA COTIDIANA

A indagação mais corriqueira a alguém que se diga estudante de filosofia ou mesmo Filósofo é uma pergunta que já traz em si um caráter filosófico: para que serve a filosofia? Este enfoque é chamado em Filosofia de enfoque Utilitarista. O Utilitarismo é “uma doutrina ética que prescreve a ação (ou inação) de forma a otimizar o bem-estar do conjunto dos seres sencientes[1]. O utilitarismo é então uma forma de consequencialismo, ou seja, ele avalia uma ação (ou regra) unicamente em função de suas consequências.Filosoficamente, pode-se resumir a doutrinautilitarista pela frase: "Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar (Princípio do bem-estar máximo)”.

Seus organizadores foram “Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873) que sistematizaram o princípio da utilidade e conseguiram aplicá-lo a questões concretas – sistema político, legislação, justiça, política econômica, liberdade sexual, emancipação feminina”.

Muito importante na história do Direito, o Utilitarismo tem uma qualidade que é ao mesmo tempo seu maior defeito: o racionalismo. Ele implica que cada gesto seja devidamente calculado e é exatamente aí que ele falha, já que, já que é uma linha de pensamento consequencialista, que considera fundamentais todas, e eu repito, todas as consequências de um ato , falha na medida que é impossível ter certeza de todas as interações possíveis de determinado gesto, ou seja, queiramos ou não, sempre teremos que pagar um tributo à incerteza e a imprevisibilidade.

                                                                Jeremy Bentham

Talvez por isso muitos o critiquem, só que como todas as linhas de pensamento geradas a partir do exercício da filosofia por seus diversos autores, o utilitarismo deixou sua cicatriz na vida da sociedade e assim perguntas como “ para que serve a filosofia” são feitas , na concepção ingênua de que seja espontânea e que não tenha já em si, um viés filosófico.
                                                             John Stuart Mill

Este é o primeiro aspecto da interveção do pensamento filosófico na vida social: por decantação, milênio após milênio, em tempos menos cultos e depois com o avanço da velocidade da informação e do conhecimento, século após século, depois década após década, filósofos elucidam interpretações originais da realidade, primeiro discutindo-as com seus pares e, lentamente, deixam que elas se derramem sobre as mentes de todos os seres humanos em todas as partes do planeta.

Todos nós julgamos, e achamos que julgamos, qyue estabelecemos juízos sobre as coisas que nos acontecem de forma espontânea, dada, como dizemos em filosofia. Só que não é assim. Um pensador treinado nas muitas escolas de pensamento saberá reconhecer no discurso ou nos atos de alguém ou de alguma instituição os traços de uma determinada linha de pensamento, uma perspectiva que provavelmente nada terá de original e sobre a qual, no exercício filosófico, já foi dissecada em seus mínimos e limitados detalhes.

É o caso do Utilitarismo. Toda forma de pensar, que em filosofia chamamos genericamente de Escola de Pensamento, após ser constituída e divulgada, sofre um processo de análise intelectual chamado em Filosofia de Crítica Filosófica. A palavra crisis em grego quer dizer separação. Criticar, embora entre os leigos no assunto signifique “falar mal de alguém ou de alguma coisa”, em filosofia significa separar em partes para estudar melhor, dividir para entender. Ao criticar uma escola filosófica, os pensadores extraem-lhe seus acertos e seus erros, seus avanços e suas limitações, porque na verdade, toda escola de pensamento está submetida a Dualidade da existência e do pensamento, tendo sempre uma face interessante e outra não tanto. Ao criticar o Utilitarismo reconhece-se a beleza de uma norma como “Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar (Princípio do bem-estar máximo)”, associando-a as coisas úteis, racionalmente importantes e de consequências bastante previsíveis, pelo menos em parte; mas surge imediatamente a questão: existirão coisas inúteis que possam causar também grande bem estar, que em princípio não sirvam para absolutamente nada e que, mesmo assim, causem grande bem estar a um grande grupo de pessoas? Sim. E a mais importante delas é a Arte.

Quando um artista pinta um quadro ou um escultor faz uma estátua, em nenhum momento visam o bem da sociedade, em princípio. Claro que gostarão imensamente de ter sua genialidade artística reconhecida mas é consenso que o trabalho artístico profundo é solitário. Antenas da sociedade, artistas captam, antes de todos, como os místicos, imagens e idéias que estão, digamos assim, pairando sobre todas as cabeças sem receber uma forma adequada, uma expressão compreensível. Por que é isto que o artista faz: ele expressa o que antes não tinha sido expresso daquele modo, e partilha com muitos uma percepção a qual, sem aquela expressão artística, na ausência de uma sensibilidade especial que é dada a poucos, não seria percebida ou sequer suposta.

Mais do que qualquer atividade humana, é na Arte que o Utilitarismo demonstra sua maior fragilidade.
Em Arte o princípio da incerteza, da imprevisibilidade e da incapacidade de prever as consequências atingem o clímax. O efeito de uma peça de arte, de qualquer natureza, é imprevisível na linha de tempo. Muitos textos só foram reconhecidos dezenas de anos após a morte dos autores, alguns até séculos depois de seu desaparecimento.

A Beleza não só é aparentemente inútil como também imprevisível, já que se trata de uma percepção estética altamente subjetiva, determinada pelas pessoas que a contemplam e que com ela se relacionam. Só que não é assim. Existe sim uma utilidade na beleza, que é gerar bem estar. Exatamente aquilo que o Utilitarismo busca. Só que é um bem estar não racional, não previsível quanto as suas consequências, sem amarras consequenciais, como uma rede, cujo abalo em qualquer de seus pontos gera vibrações em toda a sua extensão, em todas as direções.



Utilitarismo, como proposto, é uma linha reta encadeada. Arte é multidirecional. Um ponto focal e uma irradiação em todas as direções como uma explosão.

Na verdade a vida comum, cotidiana, encampa estas duas manifestações do real, linhas que se conectam a outras linhas, montando a estrutura de nossa rede imaginária de conexões, esta sim a expressão mais correta da sociedade humana.

E é aí que a pergunta se responde: para que serve a filosofia nos dias de hoje? Ela está em busca da Verdade, como no passado, ou tenta responder as três perguntas mais famosas da Mídia, “De onde viemos, quem somos e Aonde Vamos”?

Nem uma coisa nem outra.

O papel de busca da verdade foi transferido à Ciência, que é quem, hoje em dia, apoiada por uma outra linha de pensamento filosófica, o Positivismo, empreende a busca por uma Epistéme, ou Conhecimento de Certeza, ou para usar um termo Positivista, um conhecimento verificado e comprovado.

Já a busca pelas três consideradas mais importantes questões acima elencadas está também no âmbito de disciplinas científicas: De onde viemos, é o tema da Arqueologia, Antropologia e Cosmologia; quem somos, está a cargo da Psicologia, Biologia e Bioquímica; e finalmente para onde vamos faz parte das questões da Física Pura, da Astrofísica, e da Exobiologia, a área dedicada ao estudo de vida extraterrestre. Sim porque existe vida fora de nosso planeta, não os homenzinhos verdes das ficções mas bactérias, fungos e vírus que podem ter chegado até aqui de carona em algum meteoro.

O que sobrou para a Filosofia? Muita coisa.

Talvez a mais importante seja a capacidade de Criticar ( Analisar) qualquer coisa que o homem faça. E do ponto de vista da Ciência aplicada e da Indústria, visão que aliás é altamente utilitarista, a Filosofia pode ajudar e muito. Porque é a partir da Crítica Filosófica das possibilidades de uma determinado tipo de produto que é possível ao fabricante vislumbrar outras aplicações antes insuspeitas.

É a partir da aplicação da habilidade de instabilização de certezas naquilo que a ciência considera como verdades inabaláveis e comprovadas que os filósofos ajudam cientistas a repensar seu trabalho e redirecioná-lo em sentidos antes não imaginados.

E como isto se reflete na Vida Humana Cotidiana?

Vou dar um exemplo prático. Aplicando o Utilitarismo, as Indústrias criaram sistemas operacionais de produção em série que privilegiaram a reprodutibilidade de um determinado produto a tal ponto que pela enorme quantidade deste produto seu preço se tornasse mais barato e compensador. Esta foi a base do Fordismo, uma visão empresarial criada por Henry Ford , nos Estados Unidos e que por muitas décadas dominou a Indústria Americana e mundial, primeiro quanto a automóveis e depois para praticamente tudo que existe. Com o tempo no entanto verificou-se , após análises dos resultados deste procedimento em larga escala, que ele produzia um efeito colateral antes não percebido: a formação de uma quantidade de produtos excedentes, não absorvidos pelo mercado, e que se tornavam um entrave ao fluxo de bens de consumo. Além disto, para que a fábrica trabalhando em regime de linha de produção pudesse funcionar bem, necessitava de grandes estoques de componentes que participariam da elaboração do produto final. Se lembrarmos do exemplo do carro, as fábricas precisariam de vidro para os parabrisas, peças de borracha, parafusos e porcas. Tudo isto em quantidade suficiente para manter a produção, uma produção que, ao gerar excedente de produtos, levava ao acúmulo também de componentes e ocupava o espaço das fábricas. A Análise criteriosa destes problemas , ou seja, o repensar destes procedimentos geraram novas abordagens e o primeiro exemplo a alteração do chamado Fordismo americano para o Toyotismo japonês. E qual é a diferença? Primeiro: ao contrário do Fordismo, no Toyotismo a empresa não produz todas as peças necessárias ao seu produto final, mas transfere a terceiros as diversas partes desta corrente de elementos necessários a fabricação de seu produto. Um fornecedor fica responsável pelos parafusos e porcas, outro pelas peças de borracha, poutros pelo vidro e assim por diante, num processo de pulverização de funções que em primeiro lugar fez desaparecer os enormes estoques que toda a fábrica tinha que ter pata manter a linha de produção. A fábrica deixou de ser o lugar de fabricação do produto para ser o seu local de montagem. As peças são fabricadas de acordo com a demanda da produção, de forma que, como os estoques de cada fornecedor são infinitamente menores do que o de uma grande fábrica imprimiu-se racionalidade ao sistema produtivo.

Não se iludam, o que mudou não foi a tecnologia mas a Filosofia Industrial. A tecnologia, em seguida, adaptou-se a esta mudança filosófica de administrar. Outro exemplo é a Ecologia. A noção filosófica de Qualidade de Vida não surgiu de forma “dada”.

Na verdade, ele surge de uma série de elaborações filosóficas em textos os mais variados, entre eles um texto de Professor David Alan Crocker, Senior Research Scholar, Institute for Philosophy and Public Policy , em 1993, acerca de qualidade de vida e desenvolvimento . No texto em questão ele pergunta “quais as coisas que nos cercam que são de tamanha relevância que, se elas não existissem, não poderíamos considerar um indivíduo como pessoa”.

                                                              David Alan Crocker

Esta pergunta ecoa até hoje. O que nos faz pessoas? São os bens que possuímos nossas casas, nossas roupas, nossos títulos universitários? Ou é a nossa condição humana valorizada, tanto material como psicologicamente, onde podemos não ter tudo que queremos, mas sentimos que somos tratados com a decência que todos merecemos?

Todos dão a mesma resposta. E isto mudou a maneira de ver o mundo. Não começou aí mas com certeza continuou através deste e de muitos outros textos. Aos poucos foi se criando um consenso, através de multiplicadores, como jornais e revistas, televisões em todo o planeta, de que era possível viver melhor e que isto, viver melhor, não se resumia a aspectos eminentemente materiais, mas também a eles.

Junto houve o despertar da consciência ecológica. Em 1866, um cientista alemão chamado Ernst Heinrich Philipp August Haeckel utilizou pela primeira vez a palavra ecologia. Ele era médico e um artista versado em ilustração que se tornaria professor em anatomia comparada, mas só com o advento do Green Peace, organização criada em 1971 no Canadá por imigrantes americanos,Robert Hunter e Patrick Moore, a palavra ganharia o imaginário popular. Entre Haeckel e Hunter passaram-se 105 anos, e a idéia conceito de estudo do meio ambiente passou a ser uma causa política de defesa deste mesmo meio ambiente com a instauração da noção de risco ambiental.


Os co-fundadores do Green Peace, Bob Hunter, à esquerda, e Dr. Patrick Moore

O tema deste ensaio é a importância da filosofia da vida cotidiana e alguns podem argumentar que neste último trecho não se trata de um exemplo desta natureza. Não é bem assim. A história das idéias e da mudança dos conceitos ao longo da história é também a história da Filosofia. Se, no entanto, preferirem uma relação mais clara entre o pensamento e a ação, sugiro dois temas: por exemplo, a popularização do pensamento cartesiano, de Renée Descartes, e do pensamento de Emanuel Kant.
Renée Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 — Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo, físico e matemático francês. É considerado o pai da filosofia moderna porque cria a noçãode que é através do pensamento e da razão que se pode perceber o mundo com clareza. Sua frase mais famosa, “Penso, logo existo”.

                                                              Renée Descartes

Configura a essência de um movimento que revolucionaria o mundo a partir do século 16: o racionalismo. É o racionalismo que fundamenta a mudança gradual de um mundo mergulhado em superstições em um mundo ansioso por idéias “claras e distintas”, oriundas do trabalha intelectual. Desde seus textos, toda a Europa se transformou, passo a passo, até que um movimento social em que o racionalismo foi usado como a base para uma das mais importantes mudanças políticas da história da humanidade derrubou a estrutura da nobreza mais luminosa da Europa, o Rei de França, naquela que se tornou a inspiração para movimentos em todo o mundo de republicanização das relações sociais: a revolução francesa. Ressalte-se, para se fazer justiça, a importância do pensamento de Jean Jacques Rousseau, outro importante filósofo francês nos acontecimentos de 5 de maio de 1789 até 9 de novembro de 1799. É de Rousseau a idéia de Liberdade, Igualdade e fraternidade, que se torna o lema dos insurgentes franceses, e depois do movimento maçônico francês. É verdade que “A reavaliação das bases jurídicas do Antigo Regime foi montada à luz do pensamento Iluminista, representado por Voltaire, Diderot, Montesquieu, John Locke, Immanuel Kant etc. Eles forneceram pensamentos para criticar as estruturas políticas e sociais absolutistas e sugeriram a idéia de uma maneira de conduzir liberal burguesa”. Só que não haveria pensamento racional e nem Ceticismo Inglês, como é o caso de Locke, sem o trabalho de Descartes. E embora Rousseau, ao contrário de Descartes, privilegie a emoção e não a razão, é na combinação de ambos que o movimento francês se fundamenta para revolucionar a sociedade. Sem a paixão rousseauniana e a crítica analítica cartesiana, a França não faria a Revolução. Ele é o organizador do pensamento humano com quatro pequenas regras:

  • Verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
  • Analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples;
  • Sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
  • Enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Também devemos considerar o trabalho de Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano). “Em 1784, no seu ensaio "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo?", Kant visava vários grupos que tinham levado o racionalismo longe de mais: os metafísicos que pretendiam tudo compreender acerca de Deus e da imortalidade; os cientistas que presumiam nos seus resultados a mais profunda e exacta descrição da natureza; os cépticos que diziam que a crença em Deus, na liberdade, e na imortalidade, eram irracionais.

                                                                Immanuel Kant

Kant mantinha-se no entanto optimista, começando por ver na Revolução Francesa uma tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade. Toda a Europa do Iluminismo contemplava então fascinada os acontecimentos revolucionários em França.” Mas sem dúvida é pela existência de um precedente filosófico com a obra de Renée Descarte que podemos falar em pensamento racional. Assim, um filósofo estabelece as bases para seu sucessor.
Kant leva essa racionalidade e o estudo da própria razão ao seu nível mais elevado, dissecando-lhe as entranhas em um belíssimo trabalho chamado Crítica da Razão Pura, em 1781.

                                                          Frontispício da “Crítica”

Ali ele demonstra que, filosoficamente, é improvável que conseguíssemos perceber as coisas como são se não houvesse um mecanismo intrínseco que se responsabilizasse pela organização destas percepções em conceitos utilizáveis pela inteligência e que este organizador é inato no homem, o que seria comprovado pela neurologia moderna com a frase “não são os olhos ou os ouvidos que enxergam ou ouvem, mas o cérebro”.  Ele criou uma noção e um conceito que além de fundamentar a neurologia moderna, criou também as bases para o que hoje conhecemos pelo nome de informática: a estrutura interna do computador.

                                                             John von Neumann

Pois a própria idéia de um Unidade Central de Processamento (o CPU, em inglês), lhe deve ser tributada. A idéia surgiu por intermédio de um cientista chamado John von Neumann, nascido Margittai Neumann János Lajos (Budapeste, 28 de dezembro de 1903 — Washington, D.C., 8 de fevereiro de 1957) um matemático húngaro de etnia judaica, naturalizado estadunidense. A maioria dos computadores tem uma arquitetura von Neumann. Mas a idéia de um processador central ( a mente) que processasse os programas dentro da própria máquina é kantiana. Até Kant, achava-se que as idéias ou eram captadas prontas. Ele demonstra que não se trata disso, descrevendo que tudo acontece separadamente: Sensação é o estímulo organizado, percepção é a sensação organizada, concepção é a percepção organizada, ciência é o conhecimento organizado, sabedoria é a vida organizada. O computador moderno tem captadores de informações como o cérebro humano tem seus olhos, ouvidos, nariz e dedos. No caso do computador falaremos de teclados, leitores de antigos disquetes, os discos de CD ROM, ou os modernos pen-drive, pelos quais é alimentado. Mas para que esta informação seja decodificada da linguagem binária e transformada em imagens precisamos do trabalho fundamental do CPU, aonde outros programas pré instalados “lerão” as informações e as transformarão em dados organizados para as nossa contemplação, sejam letras ou imagens. É ele que, graças aos programas pré instalados faz a tradução dos impulsos lidos pelos captadores da estrutura do computador pessoal. Da mesma forma que, para Kant, nas palavras de Will Durant “...a mente do homem,( e aqui está a grande tese de Kant) não é uma cera passiva sobre a qual a experiência e as sensações escrevem sua vontade absoluta e caprichosa; nem é um mero nome abstrato para a série ou grupo de estados mentais ; ela é um órgão ativo que molda e coordena as sensações em idéias, um órgão que transforma a multiplicidade caótica da experiência na unidade ordenada do pensamento” o computador também não recebe de forma passiva as informações com as quais o alimentamos mas as organizada maneira a que possam servir ao usuário. Entre a publicação da “Crítica”(1781) e Neumann publicar o "primeiro esboço de um relatório sobre o EDVAC" onde propunha a idéia do CPU (30 de junho de 1945), passaram-se 136 anos.
Esta conexão entre informática e Immanuel Kant, ainda pouco explorada, serve como encerramento a este breve comentário sobre a importância das idéias e dos filósofos sobre a vida do homem comum. O certo é que, embora não saibamos, nossos lábios apenas repetem suas idéias, de um ou de outro, sem lhes atribuir o crédito. O que falamos e as idéias que defendemos só são possíveis porque, dezenas ou centenas ou milhares de anos atrás alguns destes homens criaram conceitos que são a base de nosso modo de vida e da nossa compreensão do mundo. Ergamos uma taça de vinho em homenagem a eles. E jamais nos esqueçamos de sua importância.

Autor: Mário Sergio Sales
Acessado em: 23/02/2016 às 21h22min