domingo, 27 de maio de 2012

DOSSIÊ - VALIOSO EMPATE

VALIOSO EMPATE

A batalha do Passo do Rosário prova que, no nível tático do combate, não perder pode garantir um bom resultado

A batalha do Passo do Rosário no traço de José Washt Rodrigues. A retirada ordenada por Barbacena impediu a destruição do exército brasileiro e frustou os objetivos dos argentinos.

     “A convenção de 1828 significa o primeiro grande triunfo da diplomacia do Império...”. Assim Carlos Oneto y Viana, político e intelectual uruguaio, classificou o acordo de paz que pôs fim à Guerra da Cisplatina (1825-1828), uma confrontação que começou como revolta, marcada pelo desembarque dos 33 orientais – como eram chamados os uruguaios – na praia de La Agraciada, após terem cruzado o Rio Uruguai. Em 10 de dezembro de 1825, depois que as Províncias Unidas do Rio da Prata anunciaram a incorporação da Cisplatina, à época unida ao Brasil, o governo imperial declarou guerra a Buenos Aires.
     Esta foi uma herança da luta travada por Espanha e Portugal no Prata desde o final do século XVII. A Cisplatina, atual República Oriental do Uruguai, nascera desse confronto com a fundação de Montevidéu em 1724, reação espanhola à ousadia da Colônia do Sacramento (1680), uma aventura da Coroa portuguesa.
     A delimitação do Sul do Brasil viria com a fortificação da barra do Rio Grande de São Pedro, atual Rio Grande, e da Ilha de Santa Catarina, irradiando uma fronteira que se sustentaria ao longo do século XVIII. Depois da tomada da região dos Sete Povos das Missões pelos luso-brasileiros em 1801, as divisas do Rio Grande foram definidas, mas seriam contestadas. Em 1811, a Corte portuguesa interveio no território da Banda Oriental, e entre 1816 e 1820 se viu em uma guerra travada primordialmente em solo brasileiro contra as pretensões do líder uruguaio José Artigas. Vencido o caudilho, o conservadorismo de Montevidéu e o interesse luso-brasileiro em conter a anarquia platina levaram à incorporação, em 1821, da Banda Oriental ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve como Província Cisplatina, relativamente autônoma.
     Nesse contexto se deu a campanha de 1827, lançada por Buenos Aires para incorporar a Cisplatina e criar no Sul do Brasil uma república separada do Império. As operações começaram em dezembro de 1826 com o movimento do Exército Republicano – das Províncias Unidas do Rio da Prata –, que invadiu o Rio Grande em janeiro de 1827 e ocupou Bagé no dia 26. Diante do avanço inimigo, o Exército do Sul, sob o comando do marquês de Barbacena, conseguiu, no dia 5 de fevereiro, se unir à força que estava em Pelotas. O comandante platino, general Carlos Alvear, agravou a invasão seguindo para o norte e ocupando São Gabriel no dia 9, o que obrigou o Exército do Sul – numericamente inferior e com menor mobilidade por ser constituído majoritariamente de tropas de Infantaria – a seguir o inimigo em busca de combate. Alvear rumou então para oeste e pareceu se retirar na direção do Rio Uruguai. Os brasileiros se apressaram, pretendendo surpreender o inimigo em suposta retirada, cruzando o Rio Santa Maria. A melhor cavalaria brasileira se afastou, para esperar o inimigo onde ele não iria. Estava pronto o cenário para a destruição do exército incumbido de defender o Sul do Brasil.
   No alvorecer de 20 de fevereiro, o Exército do Sul se deparou com o Exército Republicano a oeste da Sanga do Areal, a cerca de seis quilômetros do Passo do Rosário, com a maioria de seu efetivo fora das vistas dos brasileiros. O comandante brasileiro e o seu chefe do Estado-Maior, o marechal Brown, à vista do inimigo, decidem atacar. O posicionamento das forças brasileiras para o combate não se completou conforme o planejado, pois a 2ª Divisão, à esquerda, foi atacada pela Divisão Lavalleja, que levou de roldão os milicianos de José de Abreu até se chocar como quadrado de ferro e fogo do 13º e do 18º Batalhão de Caçadores (BC), que a desbarataram. Na direita, a 1ª Divisão, com o 27º, o 3º e o 4º BC e duas brigadas de Cavalaria, atravessou a sanga e investiu frontalmente contra o inimigo, subindo a encosta e enfrentando com sucesso cargas que lhe foram dirigidas.
    Diante de Barbacena, o véu estratégico com que Alvear ocultou suas intenções nas semanas anteriores de marchas em ziguezague se rompeu no nível tático da batalha, à medida que o inimigo “em retirada” brotava da colina oposta tentando envolver e destruir as duas divisões brasileiras. Por volta de uma da tarde, Barbacena decidiu se retirar na direção de Cacequi para prosseguir na sua missão defensiva. Fracassando em atingir o objetivo da campanha, Alvear deixou o território brasileiro, e logo depois o presidente das Províncias Unidas, Rivadávia, pediu a paz ao Império, só concluída em outras condições mais de um ano depois. Por razões políticas, Alvear responderia a Conselho de Guerra.
    A “indecisa” batalha do Passo do Rosário foi a mais decisiva da História do Brasil independente. Pouco adiantaria a destruição da esquadra buenairense em Monte Santiago, que aconteceu em seguida, ou a visão geopolítica do Império mais tarde expressa na Convenção de 1828, se o Exército do Sul tivesse sido destruído em Passo do Rosário, abrindo ao inimigo o caminho para Porto Alegre e o espaço para promover uma revolta no Sul do país. A memória da batalha não fez jus ao triunfo brasileiro, pois esqueceu suas relações com a condução estratégica da campanha e a política da guerra. Se Titara apontou em 1852 a não derrota em Passo do Rosário, só muito mais tarde os estudos do historiador e militar Cláudio Moreira Bento sobre as marchas estratégicas que a antecederam e o resgate que fez do questionário em que Caxias revela o testemunho do ensaio para a batalha feito por Alvear no mesmo lugar do combate indicaram a ousada concepção política e estratégica do inimigo.
     Frustrara-se o plano de Buenos Aires diante da pontaria e das baionetas da Infantaria brasileira. Se, por um lado, custaram a emergir perspectivas mais amplas daquele acontecimento, por outro, inaugurara-se uma tradição depois tornada corrente no Prata quando, quarenta anos mais tarde, os aliados argentinos e uruguaios reconheceram o sangue-frio dos infantes brasileiros na frase pinçada pelo futuro barão de Jaceguai de sua vivência na Guerra da Tríplice Aliança:“Os brasileiros combatendo a pé são insuperáveis”.

Fonte: revista de História da Biblioteca Nacional
Por: Sérgio Paulo Muniz Costa é autor da tese “A Segunda Guerra Mundial: origens, causas, significado e projeções na atualidade” (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, 2006) e de “A Batalha do Passo do Rosário, o Triunfo Incompreendido” (Defesa Nacional nº 777, 3° trimestre, 1997).

DOSSIÊ - ENTRE FOICES E FACÕES


A sinfonia dos canhões
Dez batalhas. Não necessariamente as mais sangrentas ou as mais conhecidas. Os eventos descritos a seguir foram escolhidos por terem sido decisivos para a formação do Brasil.
Aqui estão narradas lutas travadas no campo - ou no rio, como em Humaitá - e até a tomada de Monte Castello, que nem foi propriamente uma batalha. Também estão presentes as vozes do combate e da testemunha, que fazem o passado parecer vivo, ironicamente em um tempo de destruição e morte.
Com ou sem vitória, esses confrontos tiveram seu papel na construção da história nacional, que também é feita de pólvora, chumbo e sangue.

ENTRE FOICES E FACÕES

Apesar de derrotado na batalha do Jenipapo, o exército de sertanejos libertou três províncias nordestinas.

     Conflitos nos quais forças muito bem armadas enfrentam outras em condições desiguais não são novidade. A batalha do Jenipapo, no Piauí, foi um desses. Embora tenha ocorrido num único dia – 13 de março de 1823 –, junto do riacho Jenipapo, na vila de Campo Maior, o confronto foi dos mais violentos. E também teve um papel importante para garantir a Independência e manter a unidade política do Brasil[Ver RHBN nº 58]. Após o 7 de setembro, que obteve a independência da Região Sul, a Corte portuguesa pretendia assegurar pelo menos a parte norte do Brasil como Colônia.
Ilustração de Renato Alarcão

     A batalha foi o resultado de embates entre o poder português e a população sertaneja piauiense, que se uniu a cearenses e maranhenses a fim de expulsar do Piauí o major João José da Cunha Fidié (?-1856), comandante das Armas e governador da capitania. Fidié havia sido enviado pelo rei de Portugal, D. João VI, para garantir a manutenção do sistema colonial e impedir a Independência.
     A participação da população foi uma marca dessa batalha. Mais de 2.000 sertanejos de todas as classes sociais – fazendeiros, oficiais militares, vaqueiros, lavradores, artesãos, escravos, roceiros – formaram uma multidão de voluntários armados de instrumentos do trabalho na roça e de caçadas, além dos domésticos e agrícolas, como facões, enxadas, foices, machados. As mulheres também ajudaram, arrecadando fundos para reunir um exército guerrilheiro. Do outro lado, as tropas portuguesas, comandadas pelo major Fidié, eram compostas, em sua maioria, de mercenários, somando entre 1.600 a 1.800 homens de Cavalaria, Fuzilaria, Infantaria, disciplinados e treinados, bem equipados e armados, com 11 peças de artilharia, um canhão e lançadoras de granadas.
     O experiente major, que havia lutado contra as tropas de Napoleão na invasão de Portugal em 1807, voltava de Parnaíba, no litoral do Piauí, onde causara pânico devido à violenta repressão ao movimento de adesão ao grito do Ipiranga. Ao saber que os revoltosos se concentravam no município de Campo Maior, utilizou uma estratégia fatal contra eles: enviou um grupo de vanguarda que os guerrilheiros acreditavam ser o exército inimigo inteiro, e por isso atacaram com todas as forças. Esse primeiro combate, conhecido como “batalha do Jacaré”, foi seguido pelo confronto em outro riacho. Às margens do Jenipapo, o embate foi terrível e brutal, corpo a corpo, das nove da manhã às duas da tarde sem nenhuma interrupção, e foi marcado por cenas de extrema violência de ambos os lados. O confronto foi corpo a corpo, com combatentes degolados de ambos os lados, luta corporal, pisoteamento pelos cavalos das tropas de Fidié, feridos se contorcendo de dor, mortos espalhados pelo campo de batalha, sem serem enterrados.
     Ao final da luta, o cenário da batalha ficou repleto de armas, munições, peças de artilharia, mortos e feridos de ambos os lados. O número de baixas não é preciso porque não houve contagem. Do lado português, foram  aproximadamente 60 feridos e cerca de 20 mortos, e não houve prisioneiros; do lado dos brasileiros, em torno de 500 prisioneiros e mais de 200 mortos e feridos. Fidié enterrou alguns dos seus mortos logo depois, em cinco sepulturas, mas muitos foram deixados a céu aberto.
Devido ao seu poderoso exército, o major ganhou a batalha, mas perdeu a guerra da independência graças às táticas de guerrilha dos sertanejos: após o combate do Jenipapo, num assalto de surpresa ao acampamento militar, eles se apoderaram dos armamentos e da munição, de dinheiro e bagagem do comandante português, e cercaram o caminho para Oeiras, a capital da província, que já tinha aderido à Independência no mês de janeiro.
  Diante dessa situação e enfrentando deserções constantes, que reduziram consideravelmente suas tropas, o major Fidié se viu forçado a se retirar do Piauí. Levantou acampamento e atravessou o Rio Parnaíba para o Maranhão, refugiando-se na cidade de Caxias, onde buscou reforços militares e recursos financeiros. O Maranhão foi literalmente invadido, e após 15 dias de um audacioso cerco à cidade de Caxias pelas forças independentes de aproximadamente 6.000 homens do Piauí, do Maranhão e do Ceará, ocorreu o combate no Morro das Tabocas, com a rendição do major Fidié, faminto e desarmado. Preso, foi enviado para o Rio de Janeiro e depois para Portugal, onde foi recebido como herói. A oficialização da independência do Piauí, do Ceará e do Maranhão ocorreu em 6 de agosto de 1823, por uma Junta Militar das três capitanias.
      Na memória dos piauienses, a batalha do Jenipapo é o mais notável episódio das lutas no Piauí pela independência do Brasil. Diferentes autores traçam um relato heroico e patriótico, às vezes romântico, gerando um conhecimento quase imutável de que houve uma epopeia na luta pela independência, a ponto da data de 13 de março ter se tornado feriado estadual. Nos 150 anos do evento, em 1973, foi construído o Monumento do Jenipapo no local da batalha, onde a multidão sem rosto recebeu homenagens em placas, além de ter sido reconstituído um cemitério.
     Até hoje, o lugar é usado pelos governos estadual e municipal de Campo Maior em solenidades comemorativas, com a distribuição de  medalhas, honrarias e comendas. Recentemente, a data foi inserida na bandeira do Estado, e outro monumento foi erguido próximo ao local do combate. Após tanto tem no esquecimento, há uma movimentação no Congresso Nacional para que a batalha do Jenipapo seja introduzida nos livros didáticos de História do Brasil.


Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional
Por: Claudete Maria Miranda Dias é professora doutora aposentada da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e autora de Balaios e bem-te-vis: a guerrilha sertaneja (Instituto Dom Barreto, 2002).

DOSSIÊ - ERRO VITORIOSO


A sinfonia dos canhões
Dez batalhas. Não necessariamente as mais sangrentas ou as mais conhecidas. Os eventos descritos a seguir foram escolhidos por terem sido decisivos para a formação do Brasil.
Aqui estão narradas lutas travadas no campo - ou no rio, como em Humaitá - e até a tomada de Monte Castello, que nem foi propriamente uma batalha. Também estão presentes as vozes do combate e da testemunha, que fazem o passado parecer vivo, ironicamente em um tempo de destruição e morte.
Com ou sem vitória, esses confrontos tiveram seu papel na construção da história nacional, que também é feita de pólvora, chumbo e sangue.


ERRO VITORIOSO
Os brasileiros estavam em desvantagem na batalha do Pirajá. Mas o corneteiro, em vez de tocar a retirada, mandou a tropa avançar à degola.

Os baianos levaram 18 meses para conquistar a Independência. Desde os primeiros conflitos entre patriotas e tropas portuguesas em Salvador, em fevereiro de 1822, até a retirada destas em julho de 1823, a Bahia foi palco de muitas lutas. Houve poucos embates de peso, mas inúmeros pequenos combates. A batalha de Pirajá, travada no dia 8 de novembro de 1822, foi a maior da guerra e a primeira grande vitória brasileira.
O contexto político era bastante complicado. As tropas portuguesas, comandadas pelo tenente-coronel Luiz Inácio Madeira de Melo (1775-1833), controlavam a capital baiana desde fevereiro de 1822. Pouco tempo depois, em junho e julho, as vilas do Recôncavo aclamaram a regência de D. Pedro. Milicianos sob o comando de Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, o futuro visconde de Pirajá (1788-1848), obstruíram a Estrada das Boiadas, o acesso principal à cidade. O alto de Pirajá, pelo qual passava a via, dominava a região e foi escolhido para o acampamento brasileiro, a chave da linha, que aos poucos fechava o cerco de Salvador.
Logo que se tornou imperador, D. Pedro I ordenou em vão que Madeira de Melo se retirasse de Salvador. Para ajudar os patriotas baianos, o monarca mandou armas, munição e tropas, comandadas pelo general Pierre (Pedro) Labatut (1776-1849), um oficial francês com experiência nas guerras napoleônicas e nas de independência da Colômbia. Ele chegou ao Recôncavo no dia 28 de outubro, com tropas do Rio de Janeiro, de Pernambuco e de Alagoas, e logo intimou Madeira de Melo a cumprir a ordem imperial. Sentindo-se fortalecido pela chegada de uma frota portuguesa que lhe trouxe mais dois batalhões e um corpo de Artilharia no dia 31, Madeira anunciou sua intenção de sufocar o que considerava uma sedição.
Na madrugada do dia 8 de novembro, 1.900 soldados portugueses avançaram pela Estrada das Boiadas rumo a Pirajá, e 550 marinheiros e soldados desembarcaram nas praias de Icaranha e Plataforma para atacar as posições adversárias pelo flanco. O ataque foi logo percebido e precipitou o início da batalha, que durou quase seis horas. Estima-se que o número de defensores brasileiros tenha sido algo entre 1.700 e 2.000 homens. Era uma mistura de milicianos negros e pardos de Salvador, tropas regulares, milicianos do Recôncavo e auxiliares como índios flecheiros. Os postos avançados brasileiros recuaram diante do primeiro ataque, e os portugueses se lançaram sobre o acampamento brasileiro. Quando percebeu a iminência do perigo, o major pernambucano José de Barros Falcão de Lacerda (1775-1851), que comandava os brasileiros, mandou tocar a retirada – havia diferentes toques para ordenar a movimentação das tropas. Mas, segundo o alferes Ladislau dos Santos Titara (1801-1861), o corneteiro Luís Lopes, natural de Portugal, deu o sinal de “avançar Cavalaria à degola”. O toque errado amedrontou os portugueses, que fugiram em disparada e foram perseguidos até as portas da cidade. Foi nesse momento que chegou a pequena Cavalaria brasileira, comandada pelo major Pedro Ribeiro de Araújo. Para ele, “aquele som foi o sopro do furacão”, e acabou incitando seus homens: “Partimos como loucos furiosos; todo o Exército obedeceu ao mesmo impulso”.
Até hoje o número de baixas é questionado. Labatut, que estava em seu quartel-general, relatou que houve 200 mortos portugueses, mas, em outro ofício, mencionou “200 feridos e grande quantidade de mortos” entre os inimigos. Madeira admitiu apenas 64 baixas, e não há dados sobre o número de patriotas mortos. Pelos padrões das batalhas napoleônicas, nas quais morreram dezenas de milhares de homens, a de Pirajá mal passava de uma escaramuça.
O significado moral do embate foi enorme. O número de adesões à causa patriota, por ter o Exército brasileiro improvisado derrotado os soldados treinados da metrópole, aumentou consideravelmente. Ainda haveria muitos combates, mas o fato de Madeira não ter conseguido furar o cerco implicava sua derrota inevitável.
No dia 2 de julho de 1823, os patriotas ocuparam a cidade depois da evacuação portuguesa, e a importância da batalha de Pirajá foi logo reconhecida. Uma comissão de oficiais e o futuro visconde de Pirajá brigaram para ver quem comandaria os festejos do seu primeiro aniversário. O alferes Titara cantou as proezas das forças patriotas no seu poema épico “Paraguassú” (1835-37). Um jornal baiano, em 1835,conclamou os “Amigos da Pátria, reunidos no Campo de Pirajá”, para celebrar “o aniversário da glória deste dia ganhada pelas armas Brasileiras”. Dois anos depois, o cônsul britânico qualificou o dia 8 de novembro como “um grande feriado político” nos arredores da cidade.
O costume de celebrar o aniversário da vitória foi desaparecendo. Um periódico de 1850 lamentou que o dia passasse despercebido e que o corneteiro Lopes tivesse falecido na miséria. A comemoração da batalha foi aos poucos incorporada aos festejos do Dois de Julho. Em 1853, os restos mortais de Labatut foram depositados na capela de São Bartolomeu de Pirajá, e, a partir desse ano, realizava-se uma romaria anual ao lugar, tradição que perdurou até a década de 1890. D. Pedro II chegou a visitar a igreja e o campo da batalha em 1859, ciceroneado pelo barão de Cajaíba – Alexandre Gomes de Argolo Ferrão (1800-1870) –, que havia sido tenente durante o embate e, exagerando, contou-lhe que 300 brasileiros haviam derrotado 4.000 portugueses. Pedro julgou-o “vaidoso de seus serviços”.
A batalha de Pirajá continuou sendo lembrada no início do século XX. Por iniciativa da Liga Baiana de Educação Cívica, foi inaugurado, em 1914, o Panteão de Labatut em Pirajá, um pequeno templo que abriga seus restos mortais. Hoje em dia, quando atletas baianos saem anualmente de Cachoeira para levar o Fogo Simbólico do Dois de Julho para Pirajá e acender uma pira, eles rememoram “a união dos povos que lutaram pela independência da Bahia”.
A tela "Entrada do Exército pacificador em Salvador", de Presciliano Silva, lembra a definitiva adesão da  Bahia  à Independência (2 de julho de 1823). Mas, sem Pirajá, tudo teria sido muito mais difícil.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional
Por: Hendrik Kraay é professor da Universidade de Calgary, no Canadá, e autor de Race, State, and Armed Forces in Independence-Era Brazil: Bahia, 1790s-1840s (Stanford University Press, 2001).

DOSSIÊ - EM QUESTÃO DE MINUTOS

A sinfonia dos canhões
Dez batalhas. Não necessariamente as mais sangrentas ou as mais conhecidas. Os eventos descritos a seguir foram escolhidos por terem sido decisivos para a formação do Brasil.
Aqui estão narradas lutas travadas no campo - ou no rio, como em Humaitá - e até a tomada de Monte Castello, que nem foi propriamente uma batalha. Também estão presentes as vozes do combate e da testemunha, que fazem o passado parecer vivo, ironicamente em um tempo de destruição e morte.
Com ou sem vitória, esses confrontos tiveram seu papel na construção da história nacional, que também é feita de pólvora, chumbo e sangue.

EM QUESTÃO DE MINUTOS
A batalha de Caiboaté resultou num massacre de proporções gigantescas com requintes de crueldade.
Planta do acampamento do exército luso-brasileiro em 1755, durante a marcha de São Gonçalo para o território das Missões.
     Quando o coronel José Custódio de Sá e Faria escreveu em seu diário, no dia 10 de fevereiro de 1756, que “fazia grande compaixão a multidão de mortos”, uma das maiores barbáries do século XVIII no território brasileiro havia acabado de acontecer no atual município de São Gabriel (RS). As tropas coligadas de Portugal e Espanha, que reuniam 4.000 homens, haviam massacrado cerca de 1.500 índios das missões jesuíticas. A carnificina foi tanta que, em pouco mais de uma hora, quase todos os nativos estavam estirados no campo, empapados pelo lodo formado pelo sangue e pela gosma da bosta dos cavalos. Os dois lados haviam participado da batalha de Caiboaté.
     Esse embate foi o mais importante da Guerra Guaranítica, que teve início em 1753, quando índios e caciques se insurgiram contra a mudança de governo de suas terras. Localizadas na margem oriental do Rio Uruguai, os Sete Povos das Missões pertenciam à Espanha, mas com o Tratado de Madri (1750), passariam para o domínio dos portugueses. Os 30.000 índios deveriam abandoná-las, perdendo cidades, gado, lavouras e ervais, e transmigrar para o lado ocidental do Rio Uruguai e para o sul do Rio Ibicuí, possessões castelhanas. Nos Sete Povos seriam instalados colonos açorianos.
     O governador de Buenos Aires na ocasião, José de Andonaegui, comandava o exército espanhol-platino; Gomes Freire de Andrada, governador do Rio de Janeiro, o luso-brasileiro. Em março de 1754, os dois se reuniram na Ilha de Martin Garcia, no Rio da Prata, com o comissário espanhol, marquês de Valdelírios, para tratar da união de suas tropas.
     A coligação das forças de Portugal e da Espanha se concretizou nas cabeceiras do Rio Negro no final de 1755. O exército castelhano tinha 1.670 homens. Apenas 470 eram militares de carreira. O restante havia sido arregimentado entre os gaudérios, os bandidos e ladrões de campo – “milicianos a soldo” –, sendo que centenas deles eram patrocinados por latifundiários e comerciantes que estavam interessados no saque das Missões. Cerca de 500 peões haviam sido contratados para tocar 200 carretas, 7.000 cavalos, 800 mulas e 6.000 animais para abate. Já o poderoso exército luso-brasileiro era formado por 1.606 praças e seus oficiais, além de 250 negros escravos dos militares, particulares e comerciantes. Vinha com 152 carretas, 14 carros para a munição e outros apetrechos de guerra, três carros de pólvora, 3.760 cavalos, 2.823 reses para o sustento da tropa, 1.816 bois de tração para os carros e carretas, 221 mulas cargueiras, sete canhões de bronze e três canhõezinhos de calibre número um.
     Para obter alguma vantagem no confronto, as tropas coligadas se valeram de 200 aventureiros mamelucos de tradição bandeirante, arregimentados na capitania de São Paulo, que seguiam na frente, preferencialmente pelos matos e margens dos rios. Eles andavam por vias nas quais os cavalos não conseguiam transitar, a fim de sondar o terreno para que o exército luso-espanhol pudesse avançar. Afinal, o pesado trem de guerra ibérico só poderia transitar pela “estrada das Missões”, cujo trajeto sinuoso passava perto das nascentes dos rios afluentes das bacias do Uruguai e do Jacuí. A retaguarda dos exércitos reunidos era protegida por cerca de 200 índios minuanos – índios pampianos, nômades e cavaleiros, que haviam perdido parte de seu território para os guaranis e, depois, para o sistema jesuítico.
     O primeiro embate entre os dois lados ocorreu no dia 7 de fevereiro de 1756, quando Sepé Tiaraju, índio das Missões e corregedor de São Miguel, foi morto no território da atual cidade de São Gabriel. Três dias depois, o corregedor de Concepción, Nicolau Neenguiru, que comandava os índios missionários, resolveu improvisar e posicionar suas tropas em meia-lua na localidade de Caiboaté. Mal começou o combate, os missioneiros foram atacados de frente pela Artilharia e pela Infantaria das tropas e envolvidos pela Cavalaria que vinha dos dois flancos.
     O massacre durou apenas uma hora e quinze minutos. Mais do que isso, o modo como os derrotados foram executados transformou a batalha de Caiboaté numa verdadeira chacina. Os gaudérios e os dragões – militares da Cavalaria –, especialmente, vararam os derrotados com suas lanças, passaram-lhes a espada e os degolaram com adagas, ignorando os pedidos desesperados de clemência. Não se sabe exatamente quantas vítimas fatais teve o embate, mas testemunhas militares calcularam os mortos indígenas entre 1.200 a 1.723 – sendo que 150 foram feitos prisioneiros. Para Andonaegui, houve 1.511 do lado do inimigo, enquanto Freire os calculou em 1.500. O exército espanhol perdeu três homens e teve dez feridos. O português, um morto e 30 feridos. Em maio, as tropas coloniais ocuparam os Sete Povos das Missões.
     No futuro, o modo gaudério do combatente dos pampas produziria as páginas sanguinárias das guerras de fronteira e civis do Rio Grande do Sul, e estaria a serviço da República em Canudos (1897), quando os seguidores de Antônio Conselheiro seriam abatidos como gado em uma “charqueada”, segundo expressão de Euclides da Cunha. É dessa tradição que vem o culto gauchesco da valentia, do guerreiro, do imaginário gentílico do sulino.
     O Tratado de Madri, por sua vez, foi anulado pelo Convênio do Pardo (1761). Tudo por conta da dificuldade de transladar as famílias indígenas e das divergências entre os comissários demarcadores das fronteiras. E o território dos Sete Povos das Missões, após a expulsão dos jesuítas, passou a ser administrado por funcionários públicos da Coroa espanhola e incorporado aos domínios de Portugal em outra guerra entre os reinos em 1801. A destruição do projeto missioneiro pôs fim a uma sociedade baseada na propriedade do povo, formando multidões que perderam suas riquezas milenares. Aos poucos, por meio da mestiçagem, os índios acabaram contribuindo para a formação do povo rio-grandense.
O que resta hoje da Igreja de São Miguel Arcanjo. É o testemunho de um projeto destruído pela violência da Guerra Guaranítica.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional
Por: Tau Goliné professor da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo (RS) e autor de A guerra guaranítica – Como os exércitos de Portugal e Espanha destruíram os Sete Povos dos jesuítas e índios guaranis no Rio Grande do Sul (1750-1761) (UPF Editora, 1998).


terça-feira, 22 de maio de 2012

DOSSIÊ - A TOQUE DE CAIXAS

A sinfonia dos canhões
Dez batalhas. Não necessariamente as mais sangrentas ou as mais conhecidas. Os eventos descritos em série foram escolhidos por terem sido decisivos para a formação do Brasil.
Aqui estarão narradas lutas travadas no campo - ou no rio, como em Humaitá - e até a tomada de Monte Castello, que nem foi propriamente uma batalha. Também estão presentes as vozes do combatente e da testemunha, que fazem o passado parecer vivo, ironicamente em um tempo de destruição e morte.
Com ou sem vitória, esses confrontos tiveram seu papel na construção da história nacional, que também é feito de pólvora, chumbo e sangue. 

Guararapes na arte figurativa. Cadmo Fausto (1940) retrata a segunda batalha.

A TOQUE DE CAIXAS
Entre o pântano e os Montes Guararapes, os luso-brasileiros puseram um ponto final no sonho holandês nos trópicos.
     Não seria inadequado afirmar que, entre os episódios mais debatidos da História do Brasil, as batalhas dos Guararapes ocupam um lugar especial. De acordo com o que escreveu Diogo Lopes Santiago na época, no momento em que as caixas e as trombetas anunciaram a segunda batalha, “parecia que o ar e o vento paravam e se suspendiam”. Mas fatos ainda mais extraordinários estiveram por trás dos embates que colocaram as tropas neerlandesas contra as luso-brasileiras na antiga capitania de Pernambuco. Nelas, uma milícia basicamente local – e não nacional – derrotou um dos exércitos mais bem treinados do mundo ocidental.
     Tudo começou quando os holandeses desembarcaram em Pernambuco no ano de 1630, em nome da Companhia das Índias Ocidentais (WIC), e foram aos poucos ocupando a costa que ia da foz do Rio São Francisco ao Maranhão, no atual Nordeste brasileiro. Eles chegaram ao ponto de destruir Olinda, antiga sede da capitania de Duarte Coelho, para erguer no Recife uma pequena Amsterdã.
     O sonho urbano holandês no Brasil encontrou sua expressão máxima na construção da Cidade Maurícia (Mauriitzstad) durante o governo de Maurício de Nassau (1637-1644). No entanto, mesmo com o aumento da produção de açúcar e do comércio de escravos, a população católica sob o domínio batavo guardava muito ressentimento, endividava-se com a Companhia e, mais do que isso, via sua terra ser “profanada” com práticas judaizantes e calvinistas.
     Depois que Maurício de Nassau voltou para os Países Baixos, a situação começou a ficar insustentável. Ainda que envolvido por problemas em sua administração, ele tinha, pelo menos, um espírito conciliador. Sua figura de nobre da Casa de Orange-Nassau caía como uma luva no imaginário luso-brasileiro, cuja carência de rei durava desde que D. Sebastião morrera nas areias do deserto norte-africano no século XVI. Mas o Alto Conselho que sucedeu a Nassau na administração do Brasil não tinha o mesmo brilho. Seus membros não passavam de comerciantes sem nobreza que só faziam alimentar o desafeto da população local.
     Foi nessa conjuntura que nasceu a resistência pernambucana que culminou com a saída dos holandeses do Brasil em fevereiro de 1654. Às vésperas da primeira batalha dos Guararapes, em 1648, os exércitos luso-brasileiros, comandados por João Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros, Henrique Dias e o índio Filipe Camarão, já contavam com um bom suprimento de carne bovina vindo da região do Jaguaribe (Ceará), do sertão do São Francisco e do Rio Grande do Norte. Os holandeses, ao contrário, viviam uma situação de penúria dentro dos limites do Recife.
     O cronista Diogo Lopes Santiago foi um dos primeiros a mitificar o local dos combates ao afirmar que “é para notar que este nome Guararapes, no idioma e língua dos índios, quer dizer tambor ou atabaque, que parece que foi o nome e etimologia que lhe foi posto, como presságio dos muitos tambores e caixas, e instrumentos militares que neles se tocaram nestas batalhas, que quase quer dizer monte guerreiro e nós lhe podemos chamar vitorioso”.
     A primeira batalha que colocou os luso-brasileiros – cujo “mestre de campo” era o general Barreto de Menezes – contra os holandeses de Sigismundo van Sckoppe, ocorreu no dia 19 de abril de 1648. Espremidas entre os pântanos e os Montes Guararapes, ao sul do Recife, as tropas comandadas por Vieira, Camarão, Henrique Dias e Vidal conseguiram derrotar exércitos chefiados por alguns oficiais como Van Elst e Hous, que, a essa altura, já eram bem conhecidos dos portugueses. As forças luso-brasileiras tinham aproximadamente 2.200 combatentes divididos em três flancos. No final, devido a uma manobra de astúcia e bravura de Vidal de Negreiros, atacando o inimigo pela retaguarda, os holandeses tiveram mais de 500 mortos e um número semelhante de feridos. Nesse momento da guerra, muitos soldados da WIC desertaram, fugiram para o mato e abandonaram o sonho ingênuo de recomeçar uma vida nos trópicos.
     A segunda batalha dos Guararapes, travada em 19 de fevereiro de 1649, acabou de vez com o moral das tropas invasoras, cinco anos antes do fim definitivo do domínio holandês. Mesmo enfrentando 6.000 oponentes, os luso-brasileiros, talvez em número de 2.000, saíram novamente vitoriosos, matando centenas e ferindo gravemente mais de 700 soldados e oficiais a serviço da Companhia.
     A própria natureza do terreno favoreceu a guerra aberta. No entanto, em algumas matas e nas proximidades dos Montes Guararapes, a tática de guerrilha fora bastante utilizada. Vencer o inimigo não foi tão fácil porque os holandeses já haviam aprendido esta forma de lutar quase vinte anos antes, no Brasil. Além disso, desde 1630 eles estavam acompanhados dos nativos em qualquer escaramuça. Neste segundo enfrentamento, os holandeses ocuparam o alto dos montes e os desfiladeiros. Do lado luso-brasileiro, o mestre de campo Barreto de Menezes marchou com suas tropas para o local e procurou cercar as tropas batavas ocupando as várzeas dos canaviais ao redor. Na noite que antecedeu o combate, as tropas neerlandesas mal haviam descansado, enquanto os da terra haviam repousado sob a proteção dos manguezais. Nesse ponto, souberam tirar proveito do terreno.    
     As batalhas dos Guararapes tiveram uma importância capital não só para a história de Pernambuco, mas também para a das Forças Armadas, pelo simples fato de nelas terem combatido, lado a lado, índios, negros e brancos, ainda que numa relação muito bem definida de hierarquia. Nesses enfrentamentos, forjou-se um certo espírito de corpo, elemento indispensável a qualquer grupamento militar.
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional.
Por: Rômulo Luiz Xavier do Nascimento é professor da Universidade de Pernambuco e autor de O desconforto da governabilidade: Aspectos da Administração no Brasil holandês (UFF, 2008).


sábado, 12 de maio de 2012

VOCÊ VAI TOMAR CONSCIÊNCIA OU MAIS UM DRINK?


Atenção! Atenção! Atenção! Faça parte da mudança. Precisamos de 1.300.000 assinaturas para levar nosso projeto ao Congresso Nacional. Para assinar a petição que pede penas mais duras para quem dirige embriagado, visite o site e assine www.naofoiacidente.org convide seus amigos, curta compartilhe espalhe por todas as redes sociais. A internet é um dos, se não o melhor lugar para mobilizações.

Guerra no Mar da China!?


China nega preparativos para guerra no Mar da China Meridional




O governo da China negou neste sábado que esteja em andamento um processo de preparativos para a guerra no Mar da China Meridional, onde mantém uma tensa disputa com as Filipinas pela soberania de um arrecife.
"As informações segundo as quais a região militar de Cantón, assim como a Frota do mar da China Meridional e outras unidades entraram em estado de preparação para a guerra, não são verdadeiros", informou o ministério chinês da Defesa, em uma nota publicada em seu site oficial.
A tensa disputa com as Filipinas, que se aprofundou no mês passado, deve-se ao pequeno recife Scarborough, que a China denomina Ilha de Huangyan e considera parte de seu território, embora esteja situado a apenas 230 quilômetros de Luzon, a principal ilha das Filipinas.
A disputa se intensificou depois que navios da marinha filipina detectaram barcos pesqueiros chineses nas proximidades do recife. Os filipinos iniciaram manobras para abordar os barcos, mas foram bloqueados por embarcações da marinha chinesa, que chegaram rapidamente ao local.
Desde 8 de julho, os dois países ancoraram muitos navios não militares no local para impor suas reivindicações de soberania.


Satélite russo faz imagem de mais alta resolução da Terra

Planeta Terra

Foto foi captada pelo satélite mete-reológico Electro-L tem 121 megapixels (Roscosmos/Divulgação)

A Agência Espacial da Rússia (Roscosmos) divulgou o que afirma ser a imagem de mais alta resolução já feita da Terra. Com 121 megapixels, a foto foi captada pelo satélite metereológico Electro-L, com cada ponto dela (pixel) correspondendo a uma área de aproximadamente um quilômetro quadrado. 

Lançado em janeiro do ano passado, o satélite russo captura imagens em alta resolução do planeta a cada 30 minutos em quatro diferentes comprimentos de onda, três visíveis e uma no infravermelho. Por isso, as áreas de vegetação, normalmente verdes, aparecem em vermelho. Diferentemente de imagens semelhantes já divulgadas pela Nasa, na verdade mosaicos de várias fotos menores unidas digitalmente, o Electro-L é capaz de capturar todo o disco terrestre em uma única exposição.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Jó Soares entrevista Mary Del Priore 15/04/2011

Historiadora fala sobre lançamento de livro e tece algumas considerações sobre os comportamentos sociais do Brasil colônia. Vale a pena ser visto e analisado.




Mary Del Priore - A historiadora lança o livro "Histórias íntimas -- Sexualidade e erotismo na história do Brasil", onde percorre os cinco séculos, dando ênfase ao Brasil colônia.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Votar ou anular o voto? Eis a questão!

O fato de a democracia brasileira ser recente, em relação a outros países, a população ainda não se adaptou ao sistema do voto já que muitos na hora de eleger seu candidato acabam não adotando os devidos critérios para a escolha de seus representantes. O que o cidadão esquece é de acompanhar a atuação dos gestores e parlamentares, de adotar critérios para eleger seus candidatos e de cobrar dos escolhidos o cumprimento de suas promessas de campanha.

A falta de compromisso de grande parte dos políticos com seus eleitores acaba despertando um sentimento de insatisfação. Uma das reações, principalmente dos que já possuem uma opinião formada, é reivindicar se abstendo de votar ou anulando seu voto. O problema é que a Justiça Eleitoral não leva em consideração milhares de brasileiros que defendem essa ideia.
O professor de Designer da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Silvio Diniz, há alguns anos deixou de eleger algum candidato por acreditar que as opções deixam muito a desejar.
“Não acredito que a gente viva numa democracia e a prova disso é que não temos a opção de votar ou de não votar. Sou contrário a obrigatoriedade do voto. Num estado democrático não se pune o eleitor que prefira não ir às urnas. Hoje, os políticos só vão entender o recado quando não tiverem quórum suficiente para elegê-los. É preciso que as pessoas entendam que nossa estrutura eleitoral na verdade é eleitoreira”, declarou.
Para Diniz, o povo não tem consciência polítitica. “As pessoas têm a consciência do agora e acham que o ‘cara’ que calça a rua dele ou que lhe dá uma cesta básica é bonzinho. Hoje o Recife é um caos em todas as áreas. Quando essa obrigatoriedade do voto deixar de existir as coisas podem começar a funcionar. Se não existem candidatos preparados temos que anular o voto até porque essa teoria de votar no menos ruim não me convence”, disparou. “Trabalho em uma instituição onde a anulação do voto pode cancelar uma eleição, onde se leva em conta a opinião. Porque o mesmo não acontece nas eleições do País?”, questionou.

Fonte:  - Folha de Pernambuco,  JAMILLE COELHO

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia Internacional do Trabalhador

Dia Internacional do Trabalho

Operários - Tarsila do Amaral

DIA DO TRABALHO OU DIA DO TRABALHADOR?

Murilo Oliveira, Juiz do Trabalho(5ª Região) e Professor da UFBA.

No dia internacional do trabalho, celebram-se as lutas operárias em defesa da redução da jornada de trabalho. Lembrar do primeiro de maio serve para que não se esqueça o ocorrido em 1º de maio de 1886 em Chicago nos Estados Unidos. Nestas manifestações, precisamente durante o confronto com a polícia local, ocorreram mortes quando uma bomba explodiu. Por considerar os organizadores das passeatas os responsáveis pelas mortes, os dirigentes sindicais foram condenados pela Justiça à morte na forca. É esse o grosso resumo dos fatos que explicam historicamente o primeiro de maio (veja a história mais detalhada em http://www.culturabrasil.pro.br/diadotrabalho ), justificando o epíteto de “os mártires de maio”.
A despeito desta história de luta, morte e injustiça de trabalhadores, o primeiro de maio é designado como “dia do trabalho”. Este título oficialesco representa uma sutil prevalência da ação (trabalho), logicamente em detrimento do sujeito que realiza esta ação (trabalhador). No discurso oficial, celebra-se o trabalho humano na sua acepção genérica e não a luta dos trabalhadores que pagaram com sangue a obtenção da jornada de oito horas. Suprime-se o trabalhador (e sua dor), restando o trabalho, na perspectiva positivista mais neutra possível.
Esta questão de nomenclatura não pode ser tida como um problema pequeno. Isto porque algumas mudanças de nomes, como esta, trazem um conteúdo ideológico de esvaziamento do sentido histórico do termo. Falar hoje em dia do trabalho pouco remete a luta pela redução da jornada de trabalho e as demais lutas dos trabalhadores. Comemorar o primeiro de maio tende a significar somente a exaltação de toda a pessoa que trabalha, que pode ser tanto um empregador que administra sua empresa, um trabalhador autônomo, ou um empregado. Assim, consegue-se, com uma pequena mudança de nome, desfocar as lutas dos trabalhadores, consagradas em parte no Direito do Trabalho.
Celebra-se, enfim, neste dia uma série de conquistas do Direito do Trabalho, muitas atendendo parcialmente aos reclames dos trabalhadores. Rememora-se que estas lutas tiveram um preço histórico grande para serem reconhecidas pelo Estado como direitos trabalhistas, tal como foi a morte de mais cento e trinta mulheres grevistas queimadas numa fábrica de Nova York em 1857, data posteriormente reconhecida como dia internacional da mulher. Mais apropriado, então, é referir-se ao dia de hoje como “dia internacional do trabalhador”, em memória dos mártires de Chicago e em respeito à história das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras.

sábado, 28 de abril de 2012

Guerra dos Mascates

A desigualdade econômica e a crise açucareira: motivos fundamentais da Guerra dos Mascates.
A desigualdade econômica e a crise açucareira: motivos fundamentais da Guerra dos Mascates.

A partir de 1654, a expulsão definitiva dos holandeses de Pernambuco provocou uma grande mudança no cenário econômico daquela região. Os grandes produtores de açúcar que anteriormente usufruíram dos investimentos holandeses, agora viviam uma crise decorrente da baixa do açúcar no mercado internacional e a concorrência do açúcar produzido nas Antilhas. Contudo, esses senhores de engenho ainda possuíam o controle do cenário político local por meio do poder exercido na câmara municipal de Olinda.
Em contrapartida, Recife – região vizinha e politicamente subordinada à Olinda – era considerado o principal polo de desenvolvimento econômico de Pernambuco. O comércio da cidade trazia grandes lucros aos portugueses, que controlavam a atividade comercial da região. Essa posição favorável tinha como motivação as diversas melhorias empreendidas na cidade com a colonização holandesa, que havia transformado a cidade em seu principal centro administrativo.

Com o passar do tempo, a divergência da situação política e econômica entre os fazendeiros de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife criou uma tensão local. Inicialmente, os senhores de engenho de Olinda, vivendo sérias dificuldades para investirem no negócio açucareiro, pediram vários empréstimos aos comerciantes portugueses de Recife. Contudo, a partir da deflagração da crise açucareira, muitos dos senhores de engenho acabaram não tendo condições de honrar seus compromissos.

Nessa mesma época, a complicada situação econômica de Olinda somou-se ao completo sucateamento da cidade, que sofreu com as guerras que expulsaram os holandeses. Com isso, a câmara de Olinda decidiu aumentar os impostos de toda a região, incluindo Recife, para que fosse possível recuperar o centro administrativo pernambucano. Inconformados, os comerciantes portugueses, pejorativamente chamados de “mascates”, buscaram se livrar da dominação política olindense.

Para tanto, os comerciantes de Recife conseguiram elevar o seu povoado à categoria de vila, tendo dessa maneira o direito a formar uma câmara municipal autônoma. A medida deixou os latifundiários de Olinda bastante apreensivos, pois temiam que dessa forma os comerciantes portugueses tivessem meios para exigir o pagamento imediato das dívidas que tinham a receber. Dessa forma, a definição das fronteiras dos dois municípios serviu como estopim para o conflito.

A guerra teve início em 1710, com a vitória dos olindenses que conseguiram invadir e controlar a nova cidade pernambucana. Logo em seguida, os recifenses conseguiram retomar o controle de sua cidade em uma reação militar apoiada por autoridades políticas de outras capitanias. O prolongamento da guerra só foi interrompido no momento em que a Coroa Portuguesa indicou, em 1711, a nomeação de um novo governante que teria como principal missão estabelecer um ponto final ao conflito.

O escolhido para essa tarefa foi Félix José de Mendonça, que apoiou os mascates portugueses e estipulou a prisão de todos os latifundiários olindenses envolvidos com a guerra. Além disso, visando evitar futuros conflitos, o novo governador de Pernambuco decidiu transferir semestralmente a administração para cada uma das cidades. Dessa maneira, não haveria razões para que uma cidade fosse politicamente favorecida por Félix José.

México insiste que não deve evacuar área próxima ao vulcão Popocatépetl

Puebla (México), 28 abr (EFE).- O governo do México insistiu neste sábado que, por enquanto, não ordenará a evacuação dos 28 mil habitantes que vivem perto do vulcão Popocatépetl, vizinho à capital do país, embora as emissões de cinza não tenham parado durante os últimos oito dias.

O alerta vulcânico se mantém em cor amarela e não está prevista a evacuação dos bairros próximos à cratera do Popocatépetl, indicou o secretário de Governo, Alejandro Poiré.

O funcionário explicou que, por enquanto, trabalha de forma coordenada com os estados que circundam o vulcão para atuar caso seja necessário, o que ocorreria apenas se o alerta mudar para a cor vermelha.

Poiré assegurou que o governo mexicano conta com todos os recursos econômicos, de logística e humanos para atender qualquer contingência vulcânica.

O Centro Nacional de Prevenção de Desastres (Cenapred) informou que nas últimas 24 horas o vulcão manteve a emissão de material incandescente que causou a queda de cinza nas povoações de San Pedro Benito Juárez, Santiago Xalitzintla, San Nicolás de los Ranchos, San Pedro Yancuictlalpan e San Mateo Ozolco.

O vulcão Popocatepetl expele lava, cinzas e vapor durante erupção que pode ser vista da cidade de  Xalitzintla, no México 

Durante o decorrer deste sábado, a emissão de cinza também atingiu a capital homônima do estado de Puebla onde vivem mais de dois milhões de pessoas.

O Popocatépetl apresentou quatro exalações de vapor de água e cinza de média intensidade, mas posteriormente foram registrados diversos segmentos de tremor espasmódico de grande amplitude, que se prolongaram por quatro horas e meia, segundo a monitoração vulcânica oficial.

O governo de Puebla emitiu recomendações perante a queda de cinza, que não cessa há oito dias, quando se intensificou a atividade vulcânica.

As autoridades pedem que as pessoas cubram as caixas de água para evitar que se contaminem, limpem os resíduos dos tetos, pátios e ruas e guardem as cinzas em bolsas, já que podem ser usadas em cultivos por serem ricas em minerais.

Os empresários também emitiram uma série de recomendações a seus funcionários para não suspender atividades e evitar que a saúde dos empregados não seja afetada, assim como o funcionamento de suas máquinas.

O governo de Puebla também informou que não prevê cancelar nenhuma atividade relacionada com a festa comemorativa pelos 150 anos da Batalha de Puebla na qual está programado um desfile de 12 mil estudantes.

História Contemporânea


A História Contemporâneaé a fase atual que estamos vivendo da história da humanidade. Sucede a História Moderna.
A historiografia tradicional divide a história da humanidade em períodos: História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea. Segundo esta concepção, a humanidade tem sua história dividida em períodos que correspondem a eventos ocorridos no continente europeu ou em decorrência das ações de seu povo. Isto denota a forma tradicional de periodizar a história como fortemente eurocêntrica. Essa forma de encarar a história da humanidade está sendo amplamente revista atualmente, pois é preciso se levar em consideração a existência de grandes civilizações com grandes culturas ao longo da história também fora do continente europeu.
A História Contemporânea, segundo os historiadores, tem seu início marcado pela Revolução Francesa 1789. De acordo com essa idéia, modificações nas estruturas sociais ocorreram para caracterizar uma nova fase. O evento ocorrido na França derrubou as marcas do Antigo Regime que dividiam a sociedade em escalas dentro de uma pirâmide, na qual o rei e a nobreza ocupavam a posição mais alta, seguidos pelo clero e depois todo o resto da sociedade, incluindo camponeses e burguesia. O fato é que a classe burguesa já representava um importante grupo na ordem social e não recebia a devida consideração em troca, o que os levou a derrubar uma organização social já arcaica.
O Iluminismo teve grande influência na confecção de um novo período da humanidade, levantando a bandeira da razão e propaganda que as ciências seriam capazes de propiciar um progresso da civilização humana. O advento da nova fase colocou o indivíduo em destaque na história, capaz de definir seu próprio futuro. Ao contrário do que existia antes, quando o indivíduo era ligado a certa condição determinada pelo seu nascimento.
A História Contemporânea concretizou a presença determinante do capitalismo no cotidiano da humanidade. Exatamente por isso, surgiram novas teorias da vida humana em realidade alheia ao capitalismo. A consolidação de várias potências capitalistas desencadeou uma forte corrida por domínio de regiões fornecedoras de matéria-prima e consumidoras dos produtos industrializados. As tensões resultantes da corrida capitalista resultaram em esmagadoras guerras no século XX, colocando em questão a evolução da civilização.
Outros eventos também caracterizam fortemente a História Contemporânea. O novo período marcou as independências das antigas colônias européias, embora o imperialismo tenha gerado um novo tipo de dependência, a econômica. No século XIX há de se destacar as unificações tardias de Itália e Alemanha, as quais desencadearam a instabilidade na Europa com a entrada de novos países na corrida imperialista.
No século XX, as Guerras Mundiais, a Revolução Russa, a Crise de 1929, a Descolonização da África e a Guerra Fria deram as marcas do novo período. No século XIX, dois eventos foram importantes: o Atentado Terrorista de 11 de Setembro e a Crise Econômica de 2008-2009. Entretanto, o questionamento sobre o caráter eurocêntrico de se dividir a história e o evento terrorista de 2001 está predizendo uma nova fase da história da humanidade. Alguns historiadores já arriscam a dizer que estamos vivendo a História Pós-Contemporânea. Embora o termo não seja dos melhores, essa nova concepção se baseia no fato de que a soberania dos Estados Unidos, a grande potência mundial da era Contemporânea, tenha sido abalada com o atentado. Daí novas relações mundiais se desencadeariam.